O caso aconteceu a fevereiro de 2017, mas continuam dúvidas por esclarecer. Esta quinta-feira, em tribunal, a acusação das suspeitas da morte de Kim Jong-nam, meio-irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, disse que as duas foram treinadas para o assassinato.

A indonésia Siti Aisyah, de 25 anos, e a vietnamita Doan Thi Huong, de 28 anos, são suspeitas de utilizar o agente neurotóxico VX para matar Jong-nam no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia. Segundo o The Guardian, o procurador do tribunal de Shah Alam, Wan Shaharuddin Wan Ladin, disse que “é necessário estar treinado para se utilizar este produto, pois não há margem de erro”. O procurador acrescentou que os assassinos teriam de saber bem qual a melhor forma para o agente VX entrar no corpo da vítima e que teriam que retirar o produto do seu corpo em 15 minutos, evitando assim serem contaminados.

As câmaras de vigilância do aeroporto apanharam as duas suspeitas a dirigirem-se a uma casa de banho, logo após o assassinato de Kim. Sobre esta acusação, o advogado de defesa de Doan Thi Huong, Naran Singh, afirmou que embora a sua cliente tenha sido vista a caminhar rapidamente para a casa de banho, a sua reação não parecia de quem sabia que tinha as mãos sujas com veneno. “Se alguém soubesse que a substância nas suas mãos poderia matar e que era necessário lavá-las rapidamente, elas correriam pela vida delas e não iriam a pé”, sublinhou.

Já o advogado de Siti Aisyah, foi de encontro à mesma ideia e descreveu as provas como “frágeis e circunstanciais”, pois utilizaram apenas como base as gravações da segurança a e os vestígios do produto encontrados numa camisa que combinava com uma que Aisyah utilizou no aeroporto. “Não havia imagens claras”, sustentou.

As duas mulheres alegam que foram levadas a acreditar que estavam a fazer uma partida inocente para um programa de apanhados com uma câmara escondida. Se forem consideradas culpadas, Siti Aisyah e Doan Thi Huong arriscam-se à pena de morte por enforcamento.