A conclusão chega-nos do México, onde o crime, o tiroteio e as consequentes mortes estão a atingir níveis históricos, pela negativa. Se os criminosos disparam cada vez mais, as vítimas, especialmente as que podem, tentam defender cada vez mais a sua vida e a das suas famílias. É exactamente isto que levou a venda de carros blindados a disparar, crescendo a um ritmo de dois dígitos.

Em 2017 morreram mais de 25.000 pessoas no México, vítimas de crime. E se este valor é só por si assustador, a situação é mais grave uma vez que nos primeiros meses deste ano, o nível de actividades criminosas e o número de mortes provocado por ela pioraram ainda mais. O pavor constante tem levado as empresas e os indivíduos com mais posses a investir em carros blindados, adquirindo nos primeiros meses de 2018 quase 3.300 unidades, mais 10% do que em 2012, ano em que foi atingido um boom durante um pico dos ataques à mão armada.

Segundo a Associação de Veículos Blindados Mexicana (AVBM), a procura por veículos à prova de bala tem levado os fabricantes a produzir localmente as blindagens, em vez de importar. Se bem que existam no mercado propostas blindadas a partir de 35.000$, a Audi tem no Q5 um dos modelos mais procurados, comercializando a versão à prova daquilo a que se chama armas de mão por cerca de 87.000 dólares. De acordo com a AVBM, este valor é elevado para o nível de vida mexicano, mas ainda assim muito mais barato do que quando a blindagem é realizada por empresas exteriores à marca, especializadas em reforços com fibra de aramida e vidros reforçados, onde é comercializado por 95.000$.

Os veículos blindados protegem os ocupantes sobretudo das tentativas de rapto, que na maioria das vezes têm lugar no trânsito, sendo que este tipo de crime é realizado pelo maus da fita como fonte de financiamento, para praticarem crimes maiores e ainda mais rentáveis, como assaltos a bancos, hoje em dia vulgares no país que figura na segunda posição entre os mais perigosos do mundo.