A Polícia Judiciária cabo-verdiana corrigiu hoje os dados sobre os homicídios ocorridos entre janeiro e maio, enviados à agência Lusa, explicando que houve uma falha na compilação estatística e que se registaram 14 e não 53 homicídios. Nos dados enviados à Lusa, a PJ apontava que nos primeiros cinco meses do ano o número de casos ocorridos a nível nacional tinha sido 49 homicídios simples, três negligentes, um agravado e 70 tentados.

A diretora nacional adjunta da PJ, Jacqueline Semedo, explicou hoje, em declarações à agência Lusa, que esses números refletem, além dos homicídios ocorridos, processos acumulados de anos anteriores, sobre os quais o Ministério Público pediu diligências à PJ durante esse período.

Estamos a fazer uma contagem geral dos processos, juntamente com o Ministério Público, e nessa contagem houve uma falha porque todos os processos foram registados neste ano”, esclareceu, dizendo que foi isso que “empolou” o número de homicídios reportados.

“Mesmo para um ano normal [o número de casos] é elevado. Mas é elevado devido a essa manobra que foi feita nos serviços estatísticos, que é de registar os processos de anos anteriores”, prosseguiu a responsável da Polícia Judiciária cabo-verdiana.

Jacqueline Semedo avançou que, de janeiro a maio deste ano, a PJ registou 14 homicídios em todo o país, dos quais nove na ilha de Santiago, três no Sal, um em São Vicente e outro em Santo Antão. Segundo a diretora-adjunta, os casos registados nos cinco meses deste ano são inferiores aos cometidos em igual período do ano passado, com 18 homicídios, sendo 15 na ilha de Santiago, dois em São Vicente e um no Sal.

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“Os dados em si não estão errados, são processos que entram, mas não quer dizer que sejam os crimes cometidos nesse período, são processos que vem de anos anteriores e que são enviados para a Polícia Judiciária para efeitos de realização de diligências ou investigação”, pontuou, reconhecendo que isso deveria ser explicado anteriormente para evitar a “incompreensão”.

Jacqueline Semedo avançou também que dos 14 homicídios ocorridos de janeiro a maio deste ano, dois foram cometidos por arma de fogo, três por arma branca (faca) enquanto os outros por objetos como pau ou pedra. A diretora-adjunta indicou que não foram detidos todos os suspeitos dos crimes, estando alguns casos ainda em investigação.