Bugatti

Mudar o óleo: 18.000€. Mas há coisas (bem) piores

Se é daqueles que até treme cada vez que o seu carro tem de ir à revisão, com receio de sair de lá com uma conta calada para pagar, alegre-se por não ser o (feliz) proprietário de um Bugatti Veyron.

Que a manutenção de um superdesportivo tende a dar origem a contas caladas, já sabíamos. Só não calculávamos quanto. Agora, já podemos ter uma ideia mais próxima da realidade. E logo com um supercarro da Bugatti: o Veyron, antecessor do ainda mais proibitivo – e rápido – Chiron.

Entre 2005 e 2015, o construtor francês do Grupo Volkswagen vendeu “apenas” 450 unidades do Veyron, entre o 16.4 (2005-2011), o Grand Sport (2009-2015), o Super Sport (2010-2011) e o Grand Sport Vitesse (2011-2015). Se acha pouco, é bom ter presente que, para além de cada um desses carros ter custado no mínimo 1, 5 milhões de euros (preço-base), neste momento a Bugatti tem perto de meio milhar de veículos a que só ela pode dar assistência, pois de outra forma a garantia deixa de ser válida. Quanto é que isso custa? Uma batelada de euros por ano, segundo nos revela um vídeo divulgado no canal de YouTube denominado Salomondo.

É com visível excitação que o protagonista do filme faz umas contas rápidas à volta de um Super Sport de 2010, modelo limitado a pouco mais de 40 exemplares, o que eleva já de si a raridade e exclusividade associadas ao Veyron. Cem quilogramas mais leve e com mais 200 cv que a versão “normal”, o Super Sport chegou a ser o veículo homologado para a estrada mais rápido do mundo, depois de ter alcançado a velocidade máxima de 431,072 km/h, cortesia de um motor de 8,0 litros com 16 cilindros em W e quatro turbocompressores, capazes de lhe assegurar 1.200 cv às 6.400 rpm e um binário máximo de 1.500 Nm entre as 3.000 e 5000 rpm. Este poder de fogo, associado uma caixa DSG de sete velocidades, permite que o Veyron deixe para trás os 100 km/h ao fim de 2,5 segundos, os 200 km/h passados 6,7 segundos e os 300 km/h alcançam-se em 14,6 segundos. Cifras impressionantes que encontram a devida correspondência na hora de ir à oficina…

Antes do mais, importa sublinhar que todo e qualquer Veyron só pode ser assistido pela Bugatti, seja numa rede de espaços reconhecidos pela oficialmente marca, seja pelos famosos flying doctors, especialistas que o construtor de Molsheim faz deslocar a casa do cliente. Pois bem, aquela tarefa complicadíssima por que todos os automóveis têm de passar com regularidade e que dá pelo nome de “mudança de óleo” é serviço para custar 21 mil dólares (cerca de 18.000€)! Um balúrdio que, ainda assim, está a léguas de uma troca de pneus: mudar os quatro pneumáticos requer o pagamento de 30 mil dólares (cerca de 25.600€), o que significa que cada “sapato” custa 6.400€, ou não tivessem sido estes pneus desenvolvidos especificamente pela Michelin para que o Veyron pudesse colar-se ao asfalto quando voa à sua velocidade máxima… Sucede que, depois de efectuar três trocas de pneus – e a durabilidade destes não condiz com o preço, mas sim com a performance – a Bugatti insiste que o melhor mesmo é mudar também as jantes. A recomendação justifica-se: há um composto especial entre o aro da jante e a borracha que se vai degradando com a transmissão do torque à roda. O problema é que cada jante orça em qualquer coisa como 25.750€ – o equivalente a um Volkswagen Golf. Mudar as quatro jantes implica, por isso, desembolsar um total de 120 mil dólares, perto de 103.000€ – mais ou menos o valor exigido, entre nós, por um Porsche Cayenne. No fim de contas, a revisão anual até acaba por ser uma pechincha: 30 mil dólares (cerca de 25.600€).

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