A eliminação às mãos do Uruguai, motivo do regresso antecipado da Seleção Nacional a casa, não arrefeceu o coração dos portugueses que prepararam para a comitiva de Portugal uma receção calorosa.

Algumas centenas de pessoas esperaram largas horas pelo avião que traria Cristiano Ronaldo e companhia de regresso ao seu país. No exterior do Aeroporto Humberto Delgado, reinavam as crianças e os jovens. De telemóvel em punho e camisola da seleção ao peito, nada parecia demover quem decidira demonstrar o apoio aos 23 que representaram Portugal em terras russas — nem mesmo o atraso de mais de duas horas com que o avião aterrou em Lisboa.

Enquanto esperavam, muitos eram os gritos de apoio a Ronaldo, Quaresma e Pepe. André Silva também teve direito a cântico próprio e até mesmo a um cartaz improvisado que pedia a camisola do número nove português. Gritava-se por Portugal, por Fernando Santos e até mesmo pelo eterno herói nacional Éder (fora dos eleitos do técnico português para este Mundial) — tudo servia para aquecer as gargantas e os corações de quem esperava para apoiar numa hora difícil.

“Eles merecem todo o nosso apoio independentemente dos resultados! São o nosso orgulho”, exclamava Catarina, de 23 anos, idade suficiente para viver um momento único: “O título de há dois anos foi o melhor momento da minha vida. Tinha de vir cá agradecer-lhes mais uma vez”, confessava.

Desta vez não houve título, mas nem isso fazia ninguém arredar pé. Nem mesmo os estrangeiros que saíam do Aeroporto e se deparavam com todo um mar de gente. Muitos eram os que se apercebiam dos motivos, outros tantos ignoravam. Uma família francesa parou, percebeu do que se tratava e seguiu caminho. Flashback da célebre final de Paris? Nunca saberemos.

E chegava o aguardado momento: a comitiva portuguesa saía do Aeroporto. Quaresma, Pepe, João Mário e Rui Patrício foram dos primeiros a pisar a rua e os primeiros a interagir com os adeptos. Autógrafos, fotografias, beijos e abraços. Tudo acompanhado de uma histeria coletiva, com banda sonora de gritos por Portugal e uma segurança cada vez mais apertada que procurava impedir os atletas de se perderem no mar de gente.

Fernando Santos batia palmas a quem saudava a Seleção e confessou que “estava e não estava” à espera desta receção emotiva, sabendo o que o povo português sente pela Seleção. Antes de se dirigir para o autocarro que levaria a comitiva portuguesa à Cidade do Futebol (para onde não seguiram Bernardo Silva, Cédric, Bruno Alves, Beto, José Fonte, Pepe e André Silva, que deixaram o Aeroporto por conta própria), Fernando Santos confessou ainda sentir-se mais frustrado com a eliminação no Mundial depois desta receção e reafirmou que os jogadores se encontram muito tristes.

Antes de seguir caminho em viatura própria, também Bernardo Silva reforçou a tristeza vivida no seio do grupo. “Toda a gente está triste, todos os portugueses. Nós talvez mais do que todos”, admitiu o médio do Manchester City, sublinhando que é “um orgulho estar ali no meio da multidão”. “O mais importante agora é receber este apoio”, soltou Adrien, antes de entrar no autocarro.

“Nós procurámos fazer o nosso melhor para estas pessoas, para o nosso povo. Infelizmente não conseguimos chegar ao objetivo, que era estar na final, mas os jogadores estão de parabéns, mostraram um espírito coletivo muito forte”, destacou Pepe, que realçou a importância do apoio sentido no regresso a Portugal: “É injusto dizer se é muito ou pouco, o importante é estarem aqui, é um sinal de que estão connosco e isso é bonito”.

José Fonte admitiu que a prestação da Seleção ficou aquém do esperado: “Foi uma oportunidade perdida. Mas o futebol é assim, nem sempre corre como queremos”, afirmou, continuando: “As coisas não correram como queríamos, mas é muito gratificante saber que o povo está connosco”. Questionado sobre se voltará a estar disponível para vestir a camisola da Seleção, Fonte atirou um redondo ‘sim’: “Nunca direi que não à minha seleção. Como é que posso dizer que não ao meu país e ao meu selecionador?”.

Também João Mário irá continuar a representar Portugal ao mais alto nível. “Sou novo ainda, espero continuar muitos anos na Seleção. Tudo vou fazer para continuar a ser convocado”, respondeu o médio, que se mostrou “contente” com a receção no Aeroporto, mas falou de um Mundial “difícil”: Tentámos dar sempre o melhor em todas as partidas. Como vimos hoje, outra grande seleção ficou de fora [Espanha]”.

A maior desilusão para as centenas que aguardavam pela Seleção Nacional deu-se quando se aperceberam de que Cristiano Ronaldo não iria sair do Aeroporto. O capitão de Portugal tem um voo de ligação e não chegou a pisar o exterior do Aeroporto. Mas Bruno Alves foi questionado sobre o futuro de CR7 e deixou a decisão nas mãos do capitão: “Ele é que tem de decidir o que é melhor para ele. Sinto-me feliz por fazer parte da vida dele e da equipa dele”.