Montepio

Edmundo Martinho gostava que investimento da Santa Casa no Montepio tivesse sido “acarinhado”

O projeto de investimento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no banco Montepio devia ter sido "acarinhado", defende o provedor da Santa Casa. Como não foi, investimento foi "simbólico".

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O projeto de investimento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) na Caixa Económica Montepio Geral devia ter sido “acarinhado“, defende Edmundo Martinho, o provedor da Santa Casa em entrevista ao Eco. Como não foi, o investimento acabou por não ser mais do que “simbólico”: 75 mil euros a troco de uma participação tão reduzida que, diz Edmundo Martinho, nem tem zeros suficientes na calculadora para a calcular.

“Se tivéssemos sentido que este era um projeto acarinhado, com críticas, com sugestões, com reparos. Mas que era acarinhado…”, comenta Edmundo Martinho, numa entrevista concedida na sexta-feira, dia em que foi assinado o acordo de entrada de várias dezenas de instituições da economia social no capital da instituição financeira. E quem é que não “acarinhou” a ideia? “Todos os atores políticos mais importantes. A SCML não tem nenhum interesse em ser notícia por razões destas. Gostamos de ser notícias por temas relacionados com a nossa atividade”, afirma Edmundo Martinho, repetindo a ideia, que já tem sido referida pelo responsável em vários fóruns, de que houve uma campanha política e mediática contra a operação.

Edmundo Martinho não exclui que a Santa Casa possa vir a aplicar mais recursos no Montepio, mas se isso acontecer será depois de haver um quadro de investimentos (“disciplinado por um qualquer instrumento regulador”) da instituição que tem o monopólio dos jogos sociais em Portugal. “Não vamos continuar, de certeza, enquanto esta questão não estiver clarificada. Se depois de clarificada vai haver, ou não, investimento adicional, é uma questão a que não sei responder”, salienta Edmundo Martinho, na entrevista ao Eco.

O provedor recusa a ideia de que tenha sido pressionado pelo governo para fazer o negócio (ou não o fazer, a partir de certa altura). “A resposta ao Parlamento [de que aprova esta operação] nem podia ser outra. Não tivemos nenhuma espécie de pressão. Aquilo que sempre entendemos foi que o Governo via esta operação com bons olhos. Ou seja, não manifestou nunca nenhuma oposição nem nenhum entusiasmo particular. O Governo considerou que a existência de um banco desta natureza era importante para o país e para o sistema financeiro”, garante Edmundo Martinho.

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