O GT-R da Nissan é um brinquedo fabuloso. Com 600 cv, se considerarmos a versão Nismo de 2018, é o superdesportivo mais barato do mercado para este nível de potência, sendo ainda um dos mais eficazes, rápidos e fáceis de conduzir, mesmo a ritmos pouco aconselháveis. Segundo o construtor japonês, o GT-R cumpre este ano o seu 50º aniversário, a mesma idade do reputado atelier Italdesign, pelo que se decidiram juntar e, para comemorar de forma marcante, conceberam o GT-R50. Ainda um protótipo, mas que poderá passar à produção em série, caso a reacção do público seja boa.

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Em abono da verdade, o GT-R não faz 50 anos, uma vez que a primeira geração do R35 (denominação habitual do projecto CBA-R35) surgiu apenas em 2007, no Salão de Tóquio. Foi depois alvo de um restyling em 2011 e ainda continua aí para as curvas. Literalmente. Quando a Nissan se refere ao 50º aniversário, está a considerar igualmente o Skyline GT-R, um desportivo muito menos sofisticado e nobre, que nunca vendeu na Europa, à excepção de algumas importações pelo mercado paralelo. E neste caso, GT-R não era um modelo, como é agora, mas sim uma versão mais desportiva do Skyline, modelo que, ainda assim, esteve à venda entre 1969 e 1974, para depois ressurgir entre 1989 e 2002.

O GT-R50 tem como base o GT-R Nismo, mas se as proporções são similares – frente longa, traseira curta e habitáculo rebaixado –, não tem uma única peça em comum e todas elas são muito mais atraentes e agressivas, como convém a um “animal” deste tipo. A Italdesign concentrou-se a desenhar uma carroçaria clean, com faróis mais esguios, fruto da tecnologia LED, generosas entradas de ar e um lábio inferior (splitter) para colar a frente ao solo a alta velocidade. Na traseira surge uma mega asa, ainda por cima móvel, para poder ser adaptável à velocidade e circunstância, quer o Nissan esteja a travar, a acelerar ou em determinados tipos de curva.

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A traseira mantém os quatro farolins do GT-R, mas agora mais estilizados e um vidro posterior distinto, com óbvias preocupações aerodinâmicas, eventualmente para fazer trabalhar a asa. Por dentro o desportivo é mais discreto, mas sem perder o seu ar race. Alcantara e pele revestem o interior. Desaparece o ecrã ao centro da consola, onde o GT-R mais parecia o prolongamento de um jogo da PlayStation, com o ambiente interior a ser mais moderno e maduro, numa evolução que se saúda.

O motor continua a ser o 3.8 V6, que elevou a potência dos 600 cv do Nismo para uns ainda mais impressionantes 720 cv (e 780 Nm de força), tudo porque foram utilizados os intercoolers, turbocompressores e respectiva gestão, das unidades que correm em GT3.

Através das enormes jantes de 21 polegadas é possível ver as enormes maxilas de seis pistões à frente e quatro atrás, para garantir que o GT-R50 pára quando é preciso. O protótipo vai ser mostrado na Europa a partir deste mês de Julho, sendo que a Nissan vai estar particularmente atenta às reacções do público e, sobretudo, dos potenciais clientes. Sim, porque continuar a comercializar um superdesportivo concebido há 11 anos, é obra e acarreta necessariamente desvantagens comerciais.