É um duelo dentro do duelo. O próximo Uruguai-França vai ter, cara-a-cara, Luis Suárez, uma das lanças sul-americanas apontadas à baliza gaulesa, e Hugo Lloris, guardião da equipa europeia. Não será, propriamente, um encontro; é mais um reencontro. É que os dois jogadores são velhos amigos da Premier League — o guardião pelo Tottenham, o avançado pelo Liverpool (clube que representou antes de se mudar para Barcelona). O saldo é (muito) mais positivo para o uruguaio.

Se muitos jogadores precisam de estudar intensamente os adversários diretos — seja quem vai estar encarregado das marcações diretas, seja quem vai defender os seus remates — Suárez já fez os TPC’s em relação a Lloris. Até já o escreveu. E há quatro anos. Vamos, literalmente, abrir o livro.

Na autobiografia que o avançado lançou em 2014, de seu nome “Mi vida, Luis Suárez”, o camisola 9 dedicou uma página ao guarda-redes, falando das suas características e de como estudou o rival para o conseguir bater. “Para o avançado, há outro elemento: o guarda-redes. Alguns ficam na linha, outros saem à procura da bola. No Liverpool, via vídeos, ou o corpo técnico dizia-me o que podia esperar. Hugo Lloris sai sempre, é rápido, muito rápido nas saídas. Sabes que tens de reagir rápido ou ele vai ganhar-te espaço, mas também sabes que tens a possibilidade de lhe fazer um ‘chapéu’, porque vai deixar a linha“, explica o jogador na página 206 do livro, escrito enquanto cumpria castigo da FIFA pela mordidela a Chiellini, no Mundial do Brasil. Mas há mais: “Lloris é realmente bom, ainda que às vezes tenha um excesso de confiança, mas tem uma agilidade e velocidade de reação que são raras de encontrar. Ele é um exemplo”, disse ainda.

Fala quem sabe — e quem já passou da teoria à prática. Aconteceu, por exemplo, em dezembro de 2013, quando o Liverpool goleou o Tottenham por 5-0 com show de Suárez: o avançado assistiu Flanagan e Sterling, provocou o ressalto que deu origem ao golo de Henderson e ainda marcou um golo. Adivinha (ou lembra-se) como? Um chapéu a aproveitar a saída de Lloris, tal e qual como descreve no livro. O mesmo aconteceu em março do ano seguinte, na vitória por 4-0 dos reds: aproveitou a saída de Lloris ao primeiro poste para marcar no segundo.

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Mas há outro dado: apesar do saldo positivo para Suárez — em seis encontros com Lloris venceu três, empatou dois e perdeu apenas um –, o uruguaio nunca bateu o rival gaulês em jogos de seleção. As duas partidas já realizadas entre Uruguai e França com estes protagonistas, uma de preparação em 2008 e outra na fase de grupos do Mundial 2010, terminaram ambas empatadas a zero. Desta vez, há uma certeza: o jogo dos quartos de final marcado para a próxima sexta-feira (15h) não pode ficar empatado. Ficaremos a saber se vence a confiança de Lloris ou o estudo de Suárez.