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Steez. As “bikes cheias de estilo” que o vão levar a conhecer Lisboa sem pedalar

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Quer conhecer Lisboa e andar de bicicleta sem pedalar? A Steez chegou à cidade e, por isso, já é possível. Há passeios a Belém e Monsanto, mas também alguns petiscos no número 24 da Rua do Ferragial.

Autor
  • Catarina Gonçalves Pereira

Gostava de conhecer Lisboa sobre rodas mas acha que não tem pedalada para isso? Pois bem, agora já é possível. A Steez, uma loja de aluguer de bicicletas elétricas (“cheias de estilo”, nas palavras da marca) que quer ser mais que isso, acaba de chegar à capital portuguesa. Quando dois “Miguéis” se juntam, o resultado não podia ser melhor: bicicletas elétricas que não precisam de ser pedaladas. Confuso? Nós explicamos.

É um novo conceito que alia o gosto de Miguel Lamelas, de 28 anos, e Miguel Oliveira, de 30, pelas duas rodas e pela cidade. Estas bicicletas são quase um misto “entre uma trotineta e uma scooter“, contudo são amigas do ambiente e por isso só precisam de uma bateria carregada e de alguma atenção a conduzir. Mas calma, não precisa de ter carta de condução para as guiar.

Os jovens empreendedores queriam uma ideia de negócio para além daquele que já tinham (faziam festas de aniversário e despedidas de solteiro em barcos, na zona de Sesimbra) e acabaram por encontrar a solução ideal no verão passado.

Pensámos que era giro fazermos uns tours com buggies nas praias da Caparica, andámos à procura, fizemos uma pesquisa e depois acabamos por descobrir estas bikes. Cá não havia, mas havia noutras cidades europeias, por isso fomos experimentá-las a Espanha e adorámos. Então começamos a pensar trazê-las para Portugal”, explicou Miguel Lamelas ao Observador.

Do pensar ao trazer foi apenas um pequeno passo. Estes novos veículos que já se veem pelas ruas lisboetas são considerados velocípedes, pelo que é obrigatório a utilização de capacete, bem como o respeito por todas as regras de trânsito. A partir dos 16 anos, em princípio, toda a gente pode conduzir uma destas bicicletas, mas, segundo Diogo Braz, animador turístico e um dos gestores do projeto, “é necessário ter pelo menos 1,50m de altura e 45 quilos” porque, explicou, “é necessário que [a pessoa] chegue com os pés ao chão e que consiga ter estabilidade”. Porque a segurança é algo importante — bem como o conforto –, os guias da Steez fazem sempre uma fase experimental perto da loja para explicarem como funciona a bicicleta (como travar, como acelerar e qual a posição mais adequada para cada manobra que se pretende fazer).

As pessoas experimentam e veem até que ponto se sentem confortáveis. A verdade é que acabam sempre por se adaptar facilmente às bikes porque os pneus são bastante consistentes, a aceleração é fácil e o volante é subido, acabando por ser muito confortável”, afirmou Diogo Braz.

A loja da Steez fica no número 24 da Rua do Ferragial, em Lisboa

Depois de explicado o funcionamento, basta desfrutar de um passeio por Lisboa. As opções de tours incluem uma visita pela parte antiga da cidade, mais dedicada à parte cultural, — o chamado “On The Rail Steez Tour” — e um passeio à beira-rio até à ponte 25 de Abril (“River Steez Tour”), onde é permitido andar com maior velocidade. Se prefere andar no meio da natureza, pode optar pelo “Rad Steez Tour” que o leva a conhecer Monsanto, “o mais famoso parque natural em Lisboa”, ou pelo “Belém Steez Tour”, onde tem a oportunidade de ficar a conhecer os jardins e palácios mais emblemáticos. Gostava de algo mais romântico? Também há. O “Tour Sunset” começa quando o sol se está quase a pôr e permite ver a cidade de uma outra perspetiva. Os preços das visitas guiadas variam entre os 40 e os 60 euros e duram entre 1,5h a 2,5h.

O conselho dos “Miguéis” e de Diogo vai sempre no sentido de as pessoas experimentarem os tours até porque “a maior parte das pessoas não sabe onde pode ou não andar” e muitas vezes “têm de utilizar o GPS enquanto conduzem”, pelo que não será a melhor experiência. Estas visitas guiadas servem então para dar a conhecer, “de forma genuína”, os caminhos de Lisboa, a cultura e a comida, mas também permitem aproveitar “a diversão que é conduzir as bikes“. É também possível arrendar as bicicletas a quem queira apenas viver a experiência sozinho.

Uma cerveja, dois dedos de conversa e uma amizade

Apesar de discretas (são todas pretas e silenciosas), as bikes da Steez não passam despercebidas a quem por elas passa. “O que é isto? Nunca tinha visto estas motas” e “Que engraçado, isto é novo” são alguns dos comentários feitos às bicicletas “cheias de estilo”. Os mais curiosos pedem informações — às vezes aos turistas, outras vezes aos guias –, pelo que os três amigos até já apostaram numa nova técnica de marketing. Quando saem com um grupo para um passeio entregam cartões de visita aos vários elementos para que eles os possam distribuir e, assim, darem a conhecer este novo conceito que mora no número 24 da Rua do Ferragial.

Miguel Lamelas, Miguel Oliveira e Diogo Braz têm em comum (para além do negócio e da amizade) o gosto pelo snowboard, que qualquer um dos três pratica, daí, explicam, o nome Steez. É que a palavra faz parte do vocabulário calão que é precisamente utilizado entre os praticantes desse desporto e significa que “consegues ter estilo com facilidade” — “style with ease”. E é porque querem “dar um tour com estilo à cidade de Lisboa” que a escolha do nome para a marca foi consensual. “Dizemos que uma pessoa tem steez quando a vemos a praticar um desporto e parece que o estilo lhe está inerente, não está a ser forçado”, conta Miguel Lamelas, acrescentando: “Estas bikes têm estilo, são fáceis de conduzir e são divertidas, estas bikes são Steez, style with ease”.

Mas a Steez não é apenas uma loja de aluguer de bicicletas elétricas. Na verdade, é bem mais que isso. O espaço, que segundo Miguel Lamelas “foi dos poucos que resistiu ao terramoto de 1775”, data de 1720 e foi todo reconstruido ao gosto dos impulsionadores do projeto. Com uma decoração “meio vintage, meio industrial”, a Steez dispõe de um bar e lounge e a ideia é que “seja um espaço de convívio, em que os clientes sejam mais que isso e possam sentar-se, beber uma cerveja, comer um açaí, e conversar connosco. Que estejam num ambiente agradável e descontraído”, explicou Diogo Braz.

Os veículos são considerados velocípedes, pelo que é obrigatório a utilização de capacete

Além dos vários petiscos — sumos naturais, granola e açaí, queijos, presunto, tapas e cerveja –, há também uma secção com t-shirts e camisolas da marca à venda. Em breve haverá um menu brunch, uma secção com biquínis e ainda concertos uma vez por mês. Por enquanto a loja abre por volta das 10h e fecha às 22h, mas “a ideia é abrir às nove e ficar aberta até à meia-noite para que as pessoas possam conversar, assistir a um concerto acústico, mais intimista, e estar aqui neste espaço agradável”.

Os turistas estrangeiros são os que mais aparecem pela Steez, mas os três amigos dizem que “existe um interesse bastante grande por parte dos portugueses que visitam Lisboa” e também “pelos lisboetas, que querem ter a experiência de alugar e ir com a família dar uma volta e conhecer a cidade de uma perspetiva diferente”, porque, diz, “não precisam de se esforçar o dia inteiro, nem se vão cansar”. A Steez, que traz um conceito inovador, só vai ser inaugurada oficialmente a 13 de julho, mas já está a fazer sucesso.

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