Entrou no tribunal algemado, vestindo um fato escuro, camisa branca e gravata azul escura. Talvez fruto da gravidade das acusações de que é alvo, que no limite podem deixá-lo preso até ao fim da vida, Harvey Weinstein parecia estar “algo pálido e mais magro do que o habitual”, aponta a revista Variety, na sua edição online. Na sessão desta segunda-feira, o antigo produtor de filmes de Hollywood declarou-se inocente dos três crimes sexuais de que foi acusado por uma mulher, num caso que remonta a 2006. Acabou por ser libertado por um juiz que lhe manteve a obrigação de pagar a fiança decretada em junho por outras acusações sexuais, de 1 milhão de dólares.

A sessão, que decorreu no Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova Iorque, opôs Harvey Weinstein e o seu advogado Benjamin Brafman à terceira mulher que o acusou em tribunal da prática de crimes sexuais. Esta é representada pela advogada Gloria Allred. Não identificada, a alegada vítima acusa Weinstein de ter forçado um ato de sexo oral por si indesejado.

Se for considerado culpado pelos crimes a que esta segunda-feira começou a responder — dois crimes de assédio e ataque sexual e um crime de ato sexual de primeiro grau –, a pena atribuída a Harvey Weinstein poderá ir de dez anos de cadeia a prisão perpétua, segundo a Variety.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em junho, Weinstein já se declarara inocente de dois crimes de violação (um em primeiro grau, outro em terceiro grau) e de um crime de ataque sexual de primeiro grau, de que foi acusado por outras duas mulheres. O tribunal não revelou a identidade de nenhuma das três alegadas vítimas, mas a antiga executiva de marketing Lucia Evans anunciou publicamente que ia apresentar queixa contra o produtor de cinema.

Harvey Weinstein declara-se inocente face às acusações de violação no Supremo Tribunal de Nova Iorque

O advogado de Weinstein, um dos homens mais poderosos de Hollywood nas últimas décadas, afirmou que o seu cliente “mantém que todas estas alegações são falsas e espera ser completamente inocentado”. Mais: “Além disso, acusar o sr. Weinstein de ser um predador quando as interações foram todas consensuais não se justifica”.

Os procuradores pediram prisão domiciliária para Harvey Weinstein, enquanto este aguarda julgamento, em virtude da acumulação de crimes de que está agora indiciado. A decisão sobre a medida de coação será tomada a 20 de setembro.

As acusações a Harvey Weinstein vieram a público em 2017, depois de artigos da The New Yorker e do The New York Times que incluíam testemunhos de numerosas mulheres que diziam ter sido sexualmente atacadas pelo produtor de cinema. De então em diante, várias figuras públicas denunciaram atitudes de assédio de Weinstein, entre as quais as atrizes Ashley Judd, Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie.

O caso tornou-se uma bola de neve, dando origem a várias denúncias de assédio de mulheres que trabalham na indústria cinematográfia e em outros setores de atividade. O movimento ganhou o nome #metoo na sequência da motivação que deu a numerosas vítimas de assédio para denunciarem crimes sexuais de que foram alvo.