Em termos de comercialização automóvel, o WLTP é a maior dor de cabeça que as marcas – e os clientes – têm pela frente. Os carros são os mesmos, tal como os motores, os respectivos consumos e emissões. O único aspecto que muda é a forma como se faz o cálculo, que apesar de manter uma componente teórica, uma vez que continua a ser realizado em laboratório (tal como o NEDC utilizado até aqui), tem por base um novo método que aproxima os dados obtidos das condições reais de utilização.

Ora o novo WLTP, ao gerar valores consumos mais próximos da realidade e, logo, mais elevados – uma vez que as emissões de CO2 (que dependem directamente do consumo) podem crescer entre 20 a 30%, segundo a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) – geram também um forte incremento de impostos nos quatro países (Portugal, Irlanda, Holanda e Dinamarca) da União Europeia (UE) que possuem um sistema fiscal que depende fortemente das emissões de dióxido de carbono anunciadas pelos veículos.

A UE solicitou aos quatro países que revissem as tabelas do imposto para que a troca do NEDC pelo WLTP fosse neutra, como obviamente deveria ser, uma vez que nada muda nos veículos, apenas a forma como é calculado os consumos. Mas Portugal, pelo menos até final de 2018, nada deverá fazer em relação a esta situação, levando a aumentos chorudos a partir de 1 de Setembro. É exactamente para obviar a estes fortes incrementos no preço que a FCA, através da Fiat, Alfa Romeo e Jeep, foi a primeira a alertar para a situação e a promover uma campanha para antecipar a compra, denominada Countdown Imposto, devidamente acompanhada por descontos que variam entre 5.000€ e 8.000€.