Arqueologia

Mudança do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática até final do ano

Novas instalações do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) em Xabregas deverão estar prontas no final do ano. Investimento ascende a 1,3 milhões de euros.

SERGEY DOLZHENKO/EPA

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  • Agência Lusa
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A mudança do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) para Xabregas, na zona oriental de Lisboa, deverá estar pronta no final do ano, disse esta terça-feira o ministro da Cultura. Até agora o centro funcionava no Palácio da Ajuda, onde está instalado o ministério de Luís Castro Mendes.

As novas instalações representam um investimento de cerca de 1,3 milhões de euros.

Os prazos de conclusão da instalação do CNANS, em antigos armazéns da zona, foram avançados pelo ministro da Cultura no decorrer de uma visita às obras, feita com a Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

Em declarações aos jornalistas, o ministro sublinhou que o CNANS será “um centro de investigação”. Atualmente, estão à guarda do CNANS cerca de 14 mil peças, cujo “melhor destino das peças são os museus junto das respetivas comunidades”, disse Castro Mendes.

A diretora-geral do Património Cultural, Paula Araújo Silva, tinha já definido que o CNANS – ao contrário da “política errática do passado” – irá apostar numa política em que as peças dão entrada, são tratadas e depois devolvidas às regiões de onde são originárias.

Assim, as pirogas encontradas na margem esquerda do rio Lima, no Minho, podem vir a fazer parte do espólio de um museu em Viana do Castelo, que está a preparar-se para as receber.

Em Sesimbra, no distrito de Setúbal, irá ser instalada uma reserva subaquática, e as peças de ferro ali encontradas, de igual modo, também podem vir a ser devolvidas ao oceano, num contexto de conservação periódica, e com a possibilidade de instalar um local de mergulho, que vai permitir a sua visita. Esta reserva ficará sob a alçada do Museu Marítimo de Sesimbra, instalado na Fortaleza de Santiago.

Vila do Conde é outra autarquia que deverá receber peças achadas nos limites geográficos do concelho, foi hoje avançado.

Em declarações à agência Lusa, Paula Araújo Silva disse que a instalação do CNANS em Xabregas, incluindo as obras, o processo de mudança e a aquisição de uma liofilizadora, máquina essencial para o processo de conservação das peças, deverá custar cerca de 1,3 milhões de euros.

Para o processo de mudança do acervo, do armazém onde se encontra, no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), em Loures, cujo concurso será “lançado em breve”, foi ‘descativada’ uma verba de 500 mil euros da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), disse Paula Araújo Silva.

Em Xabregas, além do CNANS, será instalado o “arquivo morto” da DGPC, que ocupará uma área de 425 metros quadrados (m2), e a área comercial, relativa às lojas da DGPC, que abrange 650 m2.

Referindo-se à projetada área de “arquivo morto” que inclui, entre outros documentos, os ‘canhotos’ dos bilhetes de entradas nos museus e monumentos, o subdiretor-geral da DGPC e responsável pela adaptação do espaço, arquiteto João Carlos dos Santos, disse que “os corredores do Palácio Nacional da Ajuda [sede da DGPC], que estão ocupados com área de arquivo, vão passar a ser corredores”, acrescentando que a tutela está a proceder a uma “reestruturação profunda dos arquivos”.

O CNANS terá duas entradas – uma pela rua de Xabregas e outra pela rua da Manutenção -, incluirá tanques de imersão e de impregnação, uma liofilizadora, orçada em 90.000 euros, e que já se encontra em Portugal, uma estufa seca, um laboratório, dois arquivos, uma biblioteca, um centro de documentação, uma área administrativa, uma outra para investigadores, reservas para materiais orgânicos e inorgânicos, e um espaço polivalente, que “poderá funcionar para colóquios, ações de formação, ou exposições temporárias”, disse João Carlos dos Santos.

O responsável disse que a ocupação deste espaço tem um custo mensal de 8 150 euros, pago à Direção-Geral do Tesouro e Finanças, no âmbito do protocolo de cedência, assinado com a DGPC.

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