A conferência de imprensa com Bruno Fernandes esta terça-feira estava marcada para as 12 horas, mas não começou mesmo à hora marcada e, entretanto, a renovação com o médio que tinha rescindido unilateralmente com o clube já tinha sido anunciada na CMVM. Mais um compasso de espera e, entretanto, o facto de haver microfones ligados ainda apanharam parte da conversa que Sousa Cintra, líder da SAD leonina, estava a ter com o internacional português. Disse-lhe que tinha de ser um dos líderes da equipa. Disse-lhe que Podence pedia valores incomportáveis para ficar e podia estragar o balneário. Disse-lhe que Nani ia ser o próximo. E pouco mais de 24 horas foi mesmo: o extremo de 31 anos foi apresentado ao final da tarde no auditório Artur Agostinho, em Alvalade, após assinar contrato para as próximas duas temporadas com mais uma de opção… e a custo zero.

Acabou por ser um desfecho esperado, tendo em conta a vontade de todas as partes, mas que demorou um pouco mais do que se pensava na semana passada. Ainda assim, está feito: o jogador, que queria relançar a carreira após um empréstimo menos feliz na Lazio, regressou à sua “casa”; o Sporting garantiu um elemento que conhece bem Alvalade e que pode ser um dos líderes do plantel numa altura particularmente “delicada” após as nove rescisões de contrato (que passaram a oito, com o regresso de Bruno Fernandes); o Valencia resolveu a situação de um atleta que tinha mais um ano de vínculo mas que não contava de novo nas contas da próxima temporada. Não houve a mesma euforia de 2014 na apresentação, em que o aeroporto de Lisboa teve centenas de adeptos à espera do extremo que vinha por empréstimo, mas o jogador pretende que tenha um efeito tão grande ou maior numa fase diferente da carreira e onde terá um papel também distinto do que teve nas anteriores passagens.

Oficial: Nani, o Yoda dos saltos mortais, está de volta ao Sporting aos 31 anos

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Naquela que foi a quinta contratação da época, depois de Viviano (Sampdória), Bruno Gaspar (Fiorentina), Marcelo (Rio Ave) e Raphinha (V. Guimarães), também houve um atraso em relação à hora previamente marcada – e até do próprio anúncio, que chegou a ser ponderado para ontem ao final do dia – mas tudo foi feito a tempo para garantir mais um regresso a Alvalade. E com direito a quatro perguntas (que foram cinco), por ter de estar no aeroporto pouco depois desta apresentação oficial, por forma a rumar de imediato à Suíça onde a equipa do Sporting está a estagiar, tendo ganho esta tarde por 6-0 ao Lancy.

“Às vezes as coisas demoram um pouco mais mas gosto de apresentar coisas boas. É um bom filho que volta à sua casa, é das pérolas que o Sporting se orgulha de ter formado. Passou por aqui o Figo, o melhor do mundo, o Cristiano Ronaldo e o Nani, que é da mesma onda, importantíssimo e dispensa apresentações. Saiu para jogar nos melhores clubes da Europa e deu sempre o exemplo de valentia. O Nani foi aqui criado e lançado por José Peseiro, coisa que o distingue para que possamos chegar ao nosso objetivo de ter uma equipa forte, cheia de garra e de força para fazer do clube campeão. O Sporting não gastou qualquer verba para a sua contratação, depois de algumas negociações que fizemos, e veio a título definitivo. Faz parte do plantel, do património do clube e isso é uma honra muito grande. Os bons negócios têm de ser feitos assim, com calma e tranquilidade. O caminho faz-se caminhando e o que interessa é que o Sporting consiga fazer contratações que sejam uma mais valia. Estou muito feliz. Já somos amigos há muito tempo mas agora somos amigos para a vida, porque gostei do entusiasmo que demonstrou quando falámos”, apresentou Sousa Cintra, líder interino da SAD verde e branca.

Sousa Cintra aproveitou a presença no relvado para trocar alguns passes com Nani (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

“É sempre voltar a casa, estar perto da família e dos amigos, uma casa onde me sinto muito bem. Estou muito feliz por esta decisão que tomei. Expetativas? As mesmas de sempre, muito trabalho e dedicação. Sabemos que o clube passou por uma fase complicada mas estamos aqui para dar a volta e estamos aqui para que possa melhorar e no final consigamos sair todos felizes, conscientes de que fizemos uma boa época”, começou por referir Nani no regresso a Alvalade.

“Seleção? Estivesse onde estivesse iria sempre pensar que estaria à disposição, se o selecionador assim decidisse. A minha vinda foi uma decisão pessoal, uma decisão pelos sentimentos, pelo que vivo no futebol. Era importante ser acarinhado porque gostam de mim, sentir-me acarinhado na minha casa. Estou de corpo e alma disposto a lutar por este clube”, salientou, prosseguindo: “Temos de pensar em primeiro lugar na construção de um grupo forte e dedicado, ciente das capacidades e objetivos. Com um grupo coeso, tudo é possível e o mais importante é começarmos bem como clube e equipa”.

Nani lamentou o momento conturbado que clube atravessa mas quer fazer parte da solução para os problemas (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

“É sempre bom voltar a trabalhar com um treinador que faz parte da nossa história, José Peseiro foi o treinador que me lançou. Estou satisfeito e orgulhoso por trabalhar com ele. O que aconteceu na Academia foi passado, todos deram a sua opinião e devemos agora estar focados nas coisas mais positivas. Falta de propostas? Não, tive muitas, algumas aliciantes mas preferi o Sporting por uma questão de orgulho para mim mesmo e estou muito feliz. Podem dizer o que quiserem mas para mim o que conta é o que eu sinto e estou muito feliz por estar agora o Sporting”, concluiu.