Tailândia

Um túnel de cinco metros. Como se mantiveram aquecidos os rapazes na Tailândia

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O treinador de futebol ajudou as crianças a manterem-se calmas durante os dias que passaram na gruta de Tham Luang, mas não foi só isso. Ake pediu aos rapazes que escavassem um túnel para se aquecerem

Getty Images

Autor
  • Catarina Gonçalves Pereira
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O treinador de futebol Ekkapol Chanthawong, que levou doze jovens a explorar a gruta de Tham Luang, na Tailândia, foi também o homem que os ajudou a manter a calma e ficarem mais quentes, naqueles que foram dias aflitivos. O grupo ficou encurralado numa das mais perigosas grutas, devido às chuvas intensas que se fazem sentir nesta altura do ano e que inundaram algumas câmaras. O grupo não teve alternativa senão deixar-se ficar em “porto seguro”.

Ao longo de duas semanas, o treinador, que já foi monge budista, colocou em prática o que aprendeu: a meditação. Era das poucas ferramentas que tinha à mão para se manter calmo e para tranquilizar as crianças. Após vários dias rodeados de rocha, água lamacenta, passagens estreitas e escuridão, os rapazes — com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos –, tal como Ake, o treinador e o único adulto que se encontrava entre eles, conseguiram sobreviver e foram resgatados com sucesso. Agora encontram-se a recuperar no hospital.

Mas não terá sido apenas a meditação que lhes deu forças para resistirem ao desafio que tinham pela frente. Tiveram de enfrentar baixas temperaturas e a diminuição de oxigénio — que a certa altura baixou para menos de 15%.

À BBC, o antigo chefe da British Caving Association (em português, Associação Britânica de Espeleologia, a ciência que estuda grutas e cavernas) explicou que a temperatura nas grutas daquela zona do mundo “deve ser bastante elevada”. Mas o facto de a gruta estar inundada aumentava o risco de entrarem em hipotermia, pelo que o treinador pediu aos rapazes que escavassem um buraco. O objetivo? Manterem-se aquecidos.

Utilizaram pedras para escavar até cinco metros e criar um túnel que permitisse mantê-los quentes”, explicou o almirante da Marinha tailandesa, Arpakorn Yuukongkaew.

O responsável admitiu que quando tiveram conhecimento da situação só havia “uma pequena esperança” de encontrá-los com vida. Felizmente, “essa pequena esperança tornou-se realidade”. Para além dos elogios que fez ao treinador pela forma como lidou com a situação — “Devo dizer que estiveram muito bem, especialmente o treinador” –, Yuukongkaw prestou uma homenagem ao companheiro, Saman Gunan, que acabou por morrer por falta de oxigénio, quando regressava à entrada da gruta.

Era uma missão muito arriscada. Mergulhávamos em condições que nunca tínhamos visto antes. O sacrifício que Gunan fez foi de uma enorme honra”, prosseguiu.

Há já alguns anos que estava retirado da Marinha, mas, quando teve conhecimento do que estava a acontecer quis ajudar: “Quando o incidente ocorreu, ele achou que podia ajudar, então apresentou-se como voluntário”, contou.

Sofremos vários contratempos. O nível da água estava a subir significativamente e não pensámos que a operação tivesse este êxito”, acrescentou o oficial da Marinha, que se mostrou feliz por terem conseguido retirar as treze pessoas com vida do interior da gruta na província de Chiang Rai.

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