Cristiano Ronaldo

Já esteve nos 102, calcula-se que ronde os 120 e que chegue a atingir os 150 milhões de euros: quanto vale a marca Ronaldo?

Entre 2011 e 2017, a marca CR7 cresceu 77,5 milhões de euros. Hoje, deve rondar os 120 milhões de euros, sem contar com o impacto da transferência para Turim. O limite de Ronaldo parece não existir.

Camisolas da Juventus com o número 7 de Ronaldo têm registado um boom de vendas desde o anúncio oficial

AFP/Getty Images

O valor da marca Cristiano Ronaldo vai muito além daquilo que é o português dentro dos relvados. Com hotéis, discotecas, empresas de tecnologia, linhas de roupa e calçado e um sem fim de meios empresariais e publicitários onde a mais recente estrela da Juventus se movimenta, é fácil entender que à volta do melhor do Mundo gira um enorme fluxo financeiro. Para Daniel Sá, diretor do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), a marca Cristiano Ronaldo estava a valer 102 milhões de euros, no início de 2017, vale 120 milhões de euros, no momento, e deverá valer, pelo menos, 150 milhões até ao final do ano. O limite? Para CR7, não existe.

“Há cerca de oito anos que tentamos compreender quanto vale o Cristiano Ronaldo fora dos relvados, enquanto marca. Para isso, utilizamos uma ferramenta científica onde analisamos seis dimensões diferentes e quase 40 variáveis que nos permitem medir de certa forma a visibilidade e o impacto que o Ronaldo tem”, explica o diretor do IPAM ao Observador, continuando: “Convertendo esses pontos em euros, conseguimos calcular o valor da marca de Ronaldo, tal como é possível fazer com a Google ou a Ford. Mas não é justo comparar o valor de um atleta com o de uma empresa sólida“.

Ronaldo no lançamento das Nike Mercurial Vapor Superfly , botas que usou em 2009/10 e no Mundial. O melhor do Mundo tem um contrato vitalício com a Nike, à semelhança de Lebron James, na NBA (Créditos: Getty Images)

Ora, no último estudo publicado sobre Cristiano Ronaldo, em janeiro de 2017, o IPAM analisou a visibilidade, perfil e valor comercial da marca CR7 para perceber o seu retorno comercial. Com base na metodologia científica Sports Reputation Index, foram avaliadas seis dimensões: receitas, media, web, palmarés, social e impacto. No total de todos os parâmetros, o português foi mais uma vez o melhor futebolista do Mundo, com 94 pontos num total de 100 possíveis.

No indicador das receitas, Ronaldo somou 100 pontos, o máximo de uma escala que é feita por comparação com todos os outros futebolistas. Ou seja, no que às receitas (salário, patrocínios, empresas, direitos de imagem) diz respeito, Cristiano Ronaldo era o número um. Quanto aos media (imprensa, televisão, rádio), CR7 atingiu os 91 pontos, com uma elevada exposição mediática em todo o mundo. No indicador web, o português volta ao topo da escala, com 100 pontos a demonstrarem o alcance do astro na Internet. De facto, Ronaldo tem mais de 122 milhões de seguidores do Facebook, mais de 74 milhões no Twitter e mais de 134 milhões de pessoas o seguem no Instagram, dando-lhe uma grande visibilidade. No palmarés, o camisola 7 leva 87 pontos, o seu indicador mais baixo, apesar do elevado número de conquistas individuais e coletivas. Ao nível social, no que diz respeito ao impacto que o português tem na comunidade, soma 98 pontos, que demonstram a sua projeção social para além do panorama desportivo. Por fim, no indicador impacto, que mede a carreira e a projeção dos clubes e seleções por onde joga, Ronaldo chegou aos 92.

Mas, do início de 2017 até agora, muita coisa mudou na vida e carreira de Cristiano Ronaldo e, consigo, mudou também o valor da marca CR7. “Numa pré-avaliação feita nos últimos meses, previmos que a marca Ronaldo esteja avaliada, neste momento, em 120 milhões de euros. Desde o último estudo, leva mais um campeonato do mundo, uma Liga dos Campeões conquistada, uma Bola de Ouro, outros troféus individuais e, agora, esta transferência para a Juventus. Não tenho dúvidas de que os números vão crescer“, explica Daniel Sá, que prevê que, com a chegada do capitão da Seleção Nacional a Turim, o valor da marca CR7 continue a subir: “A visibilidade dele disparou e vai disparar ainda mais com a apresentação oficial, os primeiros treinos e os primeiros jogos. Quanto mais visibilidade, mais retorno. Parece-me garantido que chegará pelo menos aos 150 milhões de euros até ao final do ano. Se os próximos meses forem naturais, com o sucesso a que nos habituou a ter, acho que pode aumentar ao ponto de, se houver outra Bola de Ouro, poder chegar perto de 200 milhões de euros“. Ou seja, uma valorização de 100% no espaço de dois anos.

Em dezembro, antes do encontro entre Real e Sevilha, Ronaldo apresentava as suas cinco Bolas de Ouro, distinções que muito contribuíram para aumentar o valo da marca CR7 (Créditos: Getty Images)

“Se a performance desportiva do Cristiano nos próximos quatro anos for a natural, com uma eventual baixa de forma relativa à idade, mas dentro da normalidade, o valor da marca CR7 não vai parar de crescer. Chega a um ponto onde o retorno já não vem pela performance desportiva, mas pela celebridade que é. O valor de Cristiano Ronaldo vai continuar a aumentar mesmo depois de ele deixar de jogar futebol“, avança o diretor do IPAM, que faz uma pequena comparação com outro astro do futebol atual: “Fazendo um pouco de futurologia, quando o Messi terminar a carreira, deve desaparecer de vez devido à sua personalidade. O Ronaldo, mesmo acabando o futebol, nunca vai desaparecer do mapa“.

É difícil e injusto comparar Ronaldo com uma marca como a Google, mas é mais fácil compará-lo com outros futebolistas. Nomeadamente, Messi e Neymar. “Na projeção das redes sociais apresentam valores bastante inferiores a Cristiano Ronaldo, mas, há uma outra componente importante: os traços de personalidade. Quando pensamos em Ronaldo, não vemos um único momento de falta de profissionalismo em jogo ou em treinos, vemos uma máquina de vencer que não o quer parar de fazer. Por outro lado, temos Messi, que fora do campo é um indivíduo muito tímido e introvertido, o que acaba por não ser muito atrativo para algumas marcas“, explica Daniel Sá, continuando: “Agora, no Mundial, tivemos aquilo que eu apelido de uma tragédia do ponto de vista comercial: a prestação de Neymar. A imagem que o mundo inteiro agora tem de Neymar, não duvidando das suas qualidades enquanto futebolista, é a de um individuo pouco honesto. Chegou ao ponto de se contar o número de minutos que esteve no chão e as marcas não se querem associar a este tipo de imagem”.

Com a chegada do internacional português a Turim, a Juventus ganha uma importante arma desportiva dentro de campo e um agente financeiro fora das quatro linhas. Os 100 milhões de euros gastos (mais aqueles 12 relativos aos habituais mecanismos de solidariedade), assim como os 120 milhões líquidos que serão pagos em salários ao longo de quatro anos, rapidamente voltarão para os cofres da Vecchia Signora, com lucro a acompanhar. “Não tenho dúvidas de que a Juventus terá lucro neste negócio. Não estão a contratar apenas um futebolista de excelência, mas também uma grande marca. Por detrás desta contratação, haverá certamente um plano de negócios previsto para os próximos quatro anos”, afirma Daniel Sá, concluindo: “É um excelente golpe de marketing da Juventus. É uma Velha Senhora cada vez mais charmosa e rejuvenescida”. Para já, a olho nu, uma clara diferença desde que Cristiano Ronaldo trocou Madrid por Turim: o Real perdeu 40 milhões de seguidores no Instagram, com a Juventus a ganhar 15 milhões.

O valor da marca Cristiano Ronaldo cresceu 77,5 milhões de euros entre 2011 e o início de 2017: começou avaliada em 24,5 milhões de euros, aumentando para 40 milhões em 2012 e 43 milhões em 2013. Em 2014, atingiu o dobro de 2011, 54 milhões de euros. Dois anos mais tarde, no início de 2017, já tinha voltado a dobrar ao atingir 102 milhões. Hoje, encontra-se nos 120, aponta para os 150 e é provável que, mais cedo ou mais tarde, volte a duplicar valores e atinja os 200 milhões de euros. Já se sabia que, nas quatro linhas, não há limites para o que Ronaldo consegue fazer. Pelos vistos, na linha financeira, também não.

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