Há mais de 20 anos, a General Motors (GM) arrancou com o projecto do primeiro automóvel eléctrico de volume, o EV1. O carro foi produzido durante três anos, entre 1996 e 1999, tendo sido colocadas na rua apenas 1.117 unidades, cuja utilização se poderia fazer mediante um contrato de leasing e apenas em dois estados norte-americanos: Califórnia e Arizona.

Sucede que, em 2003, a GM deu por terminado o negócio, pois os contratos de locação foram firmados para um prazo máximo de três anos ou 48.000 km. O objectivo era reaver a propriedade dos veículos, apesar de isso ir contra a vontade dos seus clientes. E foram muitos os que tentaram junto do grupo norte-americano cobrir o valor residual do EV1. Nada feito. A polémica instalou-se, com grupos de ambientalistas e clientes insatisfeitos a manifestarem-se contra a destruição total daquela frota eléctrica. Porém, foi isso mesmo que acabou por acontecer, tendo pouquíssimos exemplares do EV1 sido doados a universidades e museus. Os outros ficaram reduzidos a uma pilha… de lata.

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Num post recente, Elon Musk confessou aquilo que poucos sabiam: que todo o burburinho gerado à volta do desmantelamento do EV1 foi o gatilho que o levou a apostar fortemente na Tesla.

Recorde-se que o fabricante californiano de veículos eléctricos foi fundado em 2003, precisamente o ano em que a GM encerrou o seu programa eléctrico. Elon Musk juntou-se à marca criada por Martin Eberhard e Marc Tarpenning, para em Fevereiro de 2004 assumir a presidência do conselho de administração.

Passados 15 anos sobre a morte do EV1, a Tesla não só se impôs no mercado como um construtor que se dedica exclusivamente à mobilidade eléctrica, como acaba de garantir que vai dar o salto para o maior mercado automóvel do mundo, com a construção de uma fábrica na China que duplicará a sua actual capacidade de produção.

A gama actual da “pequena” marca de Palo Alto é composta por três modelos (Model S, X e 3), estando a caminho o crossover Model Y (com base na plataforma do 3), a segunda geração do Roadster e o camião eléctrico Semi. Já a “gigante” GM, depois de ter colocado a mobilidade eléctrica numa prateleira por mais de uma década, introduziu no mercado (apenas) um 100% eléctrico, o Chevrolet Bolt. O modelo é descrito como “o primeiro carro eléctrico acessível a oferecer uma autonomia de 383 km com uma única carga”. O argumento, contudo, não se reflecte na tabela de vendas. Nos Estados Unidos, de Janeiro a Maio de 2018, o líder de vendas entre os BEV é o Model 3 (18.305 unidades), seguido do Model S (8.070) e Model X (6.975). O pódio é inteiramente ocupado pela Tesla, sendo o 4.º lugar então ocupado pelo Bolt, com 6.775 carros entregues a clientes nos primeiros cinco meses do ano.