Jerónimo de Sousa garante que “o PCP não parte para o debate do Orçamento do Estado com pedras no sapato” e quer continuar a promover “medidas de reposição de direitos e rendimentos, que foram importantes, embora insuficientes, embora limitadas”. Essas medidas são especialmente necessárias, diz o secretário-geral do PCP, porque no tempo do programa da troika e da governação de Passos Coelho “o povo português foi profundamente fustigado por uma política de terra queimada, de cortes nos direitos, de cortes nos salários, nas reformas, nas pensões, de redução da proteção social, em que semana sim, semana sim, havia mais uma medida de retaliação e de corte”.

Os comentários estão na entrevista de Jerónimo Sousa que o Diário de Notícias publica este domingo. A principal mensagem transmitida pelo líder do PCP é de que é “prematuro ter uma posição abalizada, garantida” sobre se o Orçamento do Estado terá a aprovação parlamentar dos comunistas, “na medida em que nós temos este conjunto de ideias, de propostas, mas começamos a encontrar algumas dificuldades pelas razões de opção do próprio Governo do PS”.

Um exemplo: Jerónimo de Sousa diz que fica “preocupado quando me vêm contrapor o dinheiro para o IP3 ao dinheiro para salários, quando a questão de fundo que se devia colocar era o IP3 e a redução da dívida ou do serviço da dívida”. “Agora, o IP3 ou salários, sim ou não, tendo em conta esta opção do Governo de fazer esta redução do défice a mata-cavalos… Estamos ainda numa fase preliminar, mas eu acrescento aqui: com preocupação. Com preocupação porque houve avanços, como já referi, que nós valorizamos mas há muita coisa por fazer”, afirma o líder comunista.

Jerónimo de Sousa falou, também, da controversa entrevista de Augusto Santos Silva — que também marcou o debate do Estado da Nação na sexta-feira. Depois de Santos Silva dizer que a “renovação da atual solução política” teria de conter um acordo “também na política externa e europeia”, Jerónimo de Sousa marca a sua posição, ao Diário de Notícias: “surpreende essa afirmação, mas estamos a falar da segunda figura do Governo do PS, não estamos a falar de um deputado do PS”.

Ainda assim, o secretário-geral do PCP diz que os comunistas não vão “cair na armadilha de esmiuçar e ficarmos indignados com a afirmação. Antes pelo contrário, o que nós dizemos é que ela comporta um posicionamento político e uma opção de fundo que teria consequências, designadamente na discussão do próprio Orçamento do Estado”.