Neste domingo há duas finais a marcar os noticiários desportivos. Estão separadas por exatos 2.890 quilómetros: em Moscovo, Croácia e França discutem o título de campeão do mundo de futebol; em Londres, Novak Djokovic defronta Kevin Anderson na partida decisiva do torneio de Wimbledon. Mas o que liga estes dois pontos no mapa e nos faz estar a escrever este texto? As declarações do tenista sérvio, que foram como um barril de pólvora na internet e até já meteram ao barulho representantes políticos.

Mas o que disse Djokovic de tão grave? Basicamente, que ia apoiar a Croácia na final frente à França. E já antes do Mundial, publicou fotografias com jogadores da seleção balcânica nas redes sociais, casos de Modric, Rakiti, Perisic e Kovacic. Ora, é sabido que, historicamente, croatas e sérvios não são propriamente os melhores amigos. Durante a Segunda Guerra Mundial protagonizaram duelos sangrentos e tudo se intensificou no início da década de 90, com os conflitos nos Balcãs pela independência da Croácia – em que morreram mais de 20 mil pessoas. Ao dizer que apoiava os “rivais” croatas, Djokovic mexeu com algo muito profundo e as redes sociais não perdoaram.

O caso tomou, até, proporções políticas. “Só um idiota pode apoiar a Croácia. Novak, não tens vergonha? És um herói nacional, como és capaz?”, questionou Vladimir Djukanovic, membro do Partido Progressista Sérvio, a partir da Grécia, onde estava de férias. O deputado desfiou mais críticas. “Todos os que apoiaram a Croácia contra a Rússia são psicopatas e loucos, prontos para serem presos em manicómios”, disse ainda, a propósito do jogo dos quartos de final, acompanhado com entusiasmo por vários sérvios em cafés espalhados por Belgrado. Nos adeptos comuns, as críticas também foram duras. “Este rapaz vive no Mónaco, não se importa com a Sérvia. E pensar que a minha mãe o considerava um filho… ainda bem que ela morreu, para não assistir a esta vergonha”, escreveu um seguidor do tenista.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Claro que nem tudo foi mau e outros aplaudiram o ato de Djokovic. “Escolho o amor ao ódio, sempre. A guerra terminou. Por favor, vamos amar-nos uns aos outros. Os políticos classificam e separam pessoas, os desportos fazem amigos”, escreveu outro seguidor na defesa de um tenista conhecido por levantar a bandeira da Sérvia após grandes conquistas.

Também Rakitic, médio da seleção croata, deixou elogios públicos ao tenista. “Esta situação é de se tirar o chapéu. Vou apoiá-lo em Wimbledon. Antes de tudo, somos seres humanos e devemos deixar a história para trás. Djokovic é um atleta fantástico, mas é ainda melhor como pessoa. Desejo-lhe toda a sorte do mundo e, se ganhar domingo, vou celebrar com ele”, afirmou o jogador que, apesar do apoio do tenista, não sofreu as mesmas críticas por parte dos croatas.