A confederação que representa os idosos (MURPI) lamenta que apenas 9% da população mais velha seja saudável e defende que a situação seria melhor com a aplicação do Programa Nacional de Saúde para os Idosos, anunciado há mais de uma década.

A posição do MURPI surge na sequência da divulgação dos dados preliminares do estudo que analisou a saúde da população idosa em Portugal, Suíça, Áustria, Alemanha e França e que concluiu que 42% dos 2.157 participantes são saudáveis. Os portugueses são quem fica pior nas estatísticas: 91% da população com mais de 70 anos tem problemas de saúde, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pela Universidade de Coimbra (UC), que é parceira no estudo europeu.

“Estes números não me espantam. Ainda há um longo caminho a percorrer no que toca a cuidados de saúde, nomeadamente pôr em prática o Plano Nacional de Saúde para os Idosos, da Direção Geral de Saúde (DGS), que foi apresentado há mais de dez anos”, lamentou o presidente do MURPI, Casimiro Menezes, em declarações à Lusa.

Lembrando que a população portuguesa está a envelhecer, Casimiro Menezes defendeu que “era importante que o plano da DGS fosse aplicado, o que ainda não aconteceu porque nunca foi considerado prioritário”. O presidente da confederação reconheceu, contudo, que os Governos têm aplicado outras medidas, tais como a gratuitidade das vacinas da gripe e do tétano para quem tem mais de 65 anos.

No entanto, o acesso aos serviços de saúde “não é a melhor”, lamentou, dando como exemplos as taxas moderadoras, a carência de transportes, a falta de médicos e dificuldade de acesso a consultas assim como o preço dos medicamentos que representa “somas muito elevadas em relação às pensões”.

O estudo sobre envelhecimento realizado na Europa e divulgado pela Universidade de Coimbra (UC) revela que a população idosa portuguesa tem baixos níveis de saúde, em comparação com os outros quatro países europeus. “Temos os idosos menos saudáveis a todos os níveis, cognitivo e físico. É, sem dúvida, um problema relevante de saúde pública”, sublinhou José António Pereira da Silva, que lidera a equipa portuguesa de investigadores da Clínica Universitária de Reumatologia da Faculdade de Medicina da UC.

Também José António Pereira da Silva reconhece que existe um conjunto de recursos sociais com efeito na saúde dos idosos, “que vai desde o valor das pensões até à facilidade de acesso à saúde”. A redução do acesso aos transportes de doentes também foi apontada pelo líder da equipa portuguesa como um dos problemas de acesso aos serviços de saúde.

Os resultados preliminares do estudo revelam que 58% dos austríacos idosos são saudáveis assim como 51% dos suíços. Nos outros países, a maioria dos idosos apresenta problemas de saúde, mas as percentagens não são tão alarmantes como em Portugal: na Alemanha, 38% dos idosos são saudáveis e em França são 37%.

O estudo começou em 2012 e considera idosos saudáveis as pessoas “que não apresentam doenças crónicas e têm uma boa saúde física e mental”.

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