Elétricos

Baterias de iões de lítio trocam cobalto por ferro

Os chineses da Liyuan têm um novo tipo de bateria para veículos eléctricos, que mantém os iões de lítio e troca o cobalto pelo ferro. Promete mais capacidade, menos custos e menor risco de incêndio.

Os veículos eléctricos necessitam de baterias mais evoluídas, capazes de uma maior densidade energética e menores custos, volume e peso, pois só assim será possível incrementar a autonomia e reduzir o preço dos automóveis alimentados por bateria, que é de longe a peça mais cara que montam no seu interior. Todos os fabricantes de acumuladores trabalham na tentativa de melhorar a qualidade das baterias que colocam no mercado e, ocasionalmente, surgem soluções que prometem fazer a diferença. Como é o caso das baterias prismáticas dos chineses da Liyuan Battery Co.

As baterias mais eficazes do mercado são as de iões de lítio que, apesar desta denominação, têm no cobalto o seu constituinte mais volumoso, em quantidade e preço. Este tipo de acumulador é muito eficaz, mas o seu desempenho traz alguns problemas. Além do preço elevado, a tendência para aquecerem em excesso durante as cargas rápidas ou acelerações fortes e continuadas coloca alguns problemas e explica a maioria dos casos de princípio de incêndio em carros eléctricos.

Ora, é precisamente por isso que as novas baterias da Liyuan são interessantes. Continuam a ser denominadas de iões de lítio, mas são na realidade de Lítio-Fosfato de Ferro (LiFePO4), sendo conhecidas por LFP. A substituição do cobalto por fosfato de ferro não é nova e as suas vantagens são conhecidas, especialmente do ponto de vista da estabilidade e resistência ao aquecimento sob um grande esforço. Mas esta solução também foi sempre conhecida por gerar acumuladores com baixa densidade energética. Ao que parece, a Liyuan conseguiu encontrar uma solução.

Na tabela comparativa é possível verificar que as mais recentes baterias LFP da Liyuan, com 3,2V e 105A conseguem ser substancialmente mais pequenas e leves do que as concorrentes com a mesma tecnologia (fosfato de ferro), mas com uma elevada densidade energética de 152 Wh/kg, face aos 88 e 101 Wh/kg dos concorrentes. Estes acumuladores da Liyuan garantem ainda um número mais elevado de ciclos, atingindo 4.500, contra 3.000 dos restantes.

Mas os chineses da Liyuan fabricam igualmente baterias mais convencionais, as NMC, ou Lítio óxido de Níquel Manganês Cobalto (LiNiMnCo). Também com esta tecnologia os especialistas asiáticos de acumuladores afirmam estar à frente da concorrência e provam-no com uma tabela comparativa entre um acumulador seu e um da Samsung (3,6V e 94A), similar ao que a marca coreana fornece ao i3 da BMW. A bateria da Liyuan (3,6V e 135A) fornece mais amperagem e uma densidade energética superior (220 Wh/kg em vez de 155 Wh/kg da Samsung). Diz-se que a Samsung está já a desenvolver uma bateria de 120A, mas ainda assim inferior ao anunciado agora pelo fabricante chinês.

Resta esperar pela aplicação prática destas duas novas baterias, para avaliar o seu desempenho em condições reais, sendo que é pouco provável que as venhamos a ver na Europa. Tudo porque a necessidade de acumuladores é tão grande no mercado chinês que os fabricante locais compram todas as baterias que eles conseguem produzir. Mas não temos dúvidas que os restantes fabricantes chineses e os seus rivais coreanos se esforçarão a bater os (bons) valores agora anunciados pela Liyuan.

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