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O SXSW mudou os festivais, os de música e os outros. Mirko Whitfield é um dos culpados

Este artigo tem mais de 3 anos

Britânico, vive na Alemanha, trabalha no South By Southwest e dá a cara pelo festival nos mercados internacionais. Falámos com Mirko Whitfield, que esta terça dá uma conferência em Serralves.

Austin, a cidade do Texas que todos os anos acolhe o South by Southwest. A próxima edição acontece entre 8 e 17 de março de 2019
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Austin, a cidade do Texas que todos os anos acolhe o South by Southwest. A próxima edição acontece entre 8 e 17 de março de 2019

Austin, a cidade do Texas que todos os anos acolhe o South by Southwest. A próxima edição acontece entre 8 e 17 de março de 2019

Mirko Whitfield já correu muita estrada. Foi tour manager e agente, trabalhou com artistas como PJ Harvey, Ultravox e Paul van Dyk. Actualmente trabalha no SXSW – South By Southwest, o festival em Austin, Texas, onde toda a gente quer estar presente, o mesmo que deixou de ser um festival só de música. Hoje é um evento que promove a comunicação entre diversos sectores de entretenimento e tecnologia. Whitfield está esta terça-feira, dia 17, na Casa de Serralves, a propósito do Clab – Laboratório Criativo, onde fará uma apresentação sobre como o SXSW mudou a cidade de Austin e o contrário também aconteceu. O Observador falou com Mirko Whitfield a propósito da sua apresentação e da sua perspectiva em como os festivais de música – e não só – estão a mudar.

O CLab – Laboratório Criativo é um encontro de pessoas criativas nas mais diversas áreas. Qual vai ser o tema da sua apresentação?
O tema geral do CLab – Laboratório Criativo é a forma como a criatividade mudou nos últimos dez anos. Irei falar sobre o South by Soutwest [SXSW] e a cidade de Austin. O SXSW começou há trinta e dois anos, em 1987. A primeira vez que trabalhei no festival foi num período entre 1990 e 1994. Depois estive uns anos a trabalhar noutras empresas e voltei em 2006. Em relação a Austin, o ponto de partida é 1968, quando começaram a acontecer algumas coisas importantes na cidade, por exemplo, quando a IBM mudou o seu centro de investigação para lá. A partir daí, a Universidade de Austin começou a atrair muitos estudantes, especialmente asiáticos, que vinham estudar engenharia eletrotécnica. Além disso, Austin sempre foi uma cidade associada à música. Vou falar da combinação disto tudo, da universidade, da cultura liberal e de como diferentes indústrias são importantes para o desenvolvimento de novas indústrias criativas. Isso aconteceu um pouco por todo o lado nos Estados Unidos, em Stanford, Palo Alto, com Silicon Valley, e está a acontecer agora em Austin. Tens uma grande universidade e muitas empresas, como a Amazon, Google, Facebook, com escritórios em Austin. Todos os dias cerca de 190 pessoas mudam-se para Austin.

Quando é que sentiu que o festival estava a mudar e a integrar diferentes indústrias criativas além da música?
O festival começou em 1987, em 1994 acrescentámos ao programa cinema e multimédia. E depois creio que a grande mudança se dá em 2007, salvo erro. O Twitter foi mais ou menos lançado no SXSW; em 2008 o Mark Zuckerberg deu uma keynote e em 2009 o Foursquare foi lançado. Houve muita coisa a acontecer entre 2007 e 2009, creio que foi aí que o festival se relançou.

Os festivais de música mudaram muito na última década. Vê a influência do SXSW, sobretudo nessa vontade de cruzar diferentes indústrias, a acontecer noutros festivais, nos europeus, por exemplo?
O modelo do SXSW tem sido copiado por muita gente. O que é OK para nós, até gostamos disso. Há um festival na Holanda, chamado The Next Web, que é muito parecido com o SXSW: tem tecnologia, música e uma atitude muito relaxada e descontraída. E também há o Live At Heart, em Setembro, na Suécia. No site deles há uma parte que diz: “Queremos ser o SXSW da Suécia”. E depois há a Web Summit, que foi muito influenciado pelo SXSW. Recebemos pedidos de várias cidades mundiais que querem fazer um SXSW.

E alguma vez pensaram em fazer um?
Sim. O problema é que em 2006, quando regressei ao SXSW, existiam trinta pessoas a trabalhar no festival. Hoje são mais de 220. É uma empresa que cresceu muito nos últimos anos, o evento em Austin cresceu imenso na última década. Como crescemos tão rápido não temos a possibilidade de fazer um na Europa, por exemplo.

É britânico e vive na Alemanha. Como chegou a Austin?
Vivo na Alemanha e conheço o SXSW há mais de trinta anos. Trabalhei durante muito tempo na indústria musical, fazia digressões, trabalhei em editoras e conheci os organizadores do festival quando vivia em Berlim. Trabalhava num festival de música e os programadores do SXSW iam lá.

Qual festival?
Berlin Independence Days, já não existe. Todos nós viemos da indústria musical, o Roland Swenson, um dos fundadores do SXSW, era tour manager e agente de bandas. Trabalhávamos no mesmo.

E o que é que essa vida na estrada ensina?
Eu digo-te o que ensina: ensina-te a seres persistente. Sabes, se tens de estar na estrada trinta dias com uma banda, lidar com as salas, as pessoas que lá trabalham, isso torna-te persistente. Uma das coisas que as pessoas se esquecem sobre o SXSW é de que nem sempre foi um grande festival, antes era muito pequeno. Antes ninguém queria ir a Austin. Há cerca de dez anos é que o paradigma mudou. Mas antes muita gente não ia, porque não tinham uma razão, porque era difícil chegar a Austin e porque nem percebiam o que era o festival. Foi um trabalho duro. Mas acho que as pessoas do Texas são teimosas e o Texas também torna teimosas as pessoas que lá trabalham.

Companhias relacionadas com outras indústrias, como a dos videojogos, ajudaram a mudar o paradigma do festival? E, já agora, como vê a evolução do SXSW e de outros festivais no futuro?
Sim, claro. A realidade é que é muito caro montar um festival, muita gente tem de ser contratada. E isso significa que tens de pagar às pessoas. E tens de fazer dinheiro. A indústria musical já não é o que era, as pessoas na indústria agora têm menos dinheiro. E depois há uma grande diferença, também se começa a sentir na Europa, mas nos Estados Unidos, os norte-americanos sempre estiveram mais preparados para olhar para a tecnologia como uma forma de melhorar o seu negócio. Adoro a Europa, a sua cultura, a “Velha Europa”, mas os norte-americanos têm outro ângulo e adoram a tecnologia: por isso foram os americanos a criar a nova Apple, o iPhone. Isso tem um grande efeito em como tudo é percecionado. A indústria musical mudou bastante e a experiência de ouvir música também: as pessoas fazem download de músicas ou ouvem em streaming. Já não ouvem álbuns. E já não vão a tantos concertos. Quando era miúdo, em Inglaterra, ia ver bandas que não conhecia.

Agora o público faz isso, mas em festivais.
Talvez, tens razão. Mas não faz isso numa quarta-feira, sair de casa para ir ver um concerto de uma banda que não conhece. As coisas mudaram. O consumidor mudou, a indústria mudou.

Os festivais de música vão concentrar-se em mostrar mais artistas e bandas que as pessoas conhecem?
Sim, é muito provável que assim seja. Na minha apresentação vou falar em como a cidade de Austin tem mudado. E porque mudou e como isso se deve em parte ao festival. Mas o contrário acontece também. Em Portugal, em Lisboa, no Porto e noutras cidades, fazer estes eventos é uma forma  de encorajar as pessoas a ficarem, fazerem os seus negócios cá, mas também de incentivar pessoas a virem de fora e estabelecerem os seus negócios aqui. Portugal está muito melhor posicionado do que muitos outros países europeus. E tem uma grande vantagem: os portugueses falam muito bem inglês.

Mais info sobre a conferência aqui.

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