O Fuchsia está a ser preparado há dois anos e pode vir a substituir por completo o atual sistema operativo móvel da Google, o Android. Como avança a Bloomberg, a Google já disponibiliza desde 2016 parte do código do novo sistema para programadores começarem a preparar apps para esta nova forma de utilizar smartphones, portáteis e até colunas inteligentes.

O objetivo deste novo sistema operativo é criar um software capaz de conectar-se facilmente a todos os produtos Google, como o Pixel Phone e ou as colunas inteligentes Google Home, como tecnologias semelhantes de outras empresas. Para isso, o sistema passará a ser parte não só de smartphones, como destes dispositivos. Tudo para permitir a interconetividade mais fluida entre aparelhos.

Testámos a Alexa e a Ok Google. Não nos apaixonámos, mas estivemos perto

Até o Fuchsia estar disponível no mercado como, atualmente, o Android  está, podem ser precisos ainda 10 anos, como avança o mesmo meio. A razão desta estratégia a longo prazo passa por a empresa ainda ter vários contratos com parceiros do Android (como a Samsung, a LG, a Huawei, entre outros). Além disso, depois de uma coima recorde aplicada pela Comissão Europeia à forma como a Google disponibiliza o Android a fabricantes de smartphones, o Fuchsia pode ter mais dificuldades a proliferar no mercado com o Android o fez, avançaram fontes da empresa.

Google multada em 4300 milhões de euros, a maior coima de sempre aplicada pela Comissão Europeia

Para já, “mais de 100 pessoas” na Google estão envolvidas na conceção deste novo sistema operativo. O que a empresa pretende neste “reset, é corrigir os erros que o Android tem”, explicou Jeffrey Grossman, um programador que trabalhou na Apple. Um dos pontos em que o Android tem dificuldade em competir com o sistema operativo móvel iOS da empresa criada por Steve Jobs e Steve Wozniak é nas atualizações de software.

O Android — mesmo com o 85% do mercado — sempre que recebe uma atualização tem um número menor de atualizadores a atualizar o software em relação ao iOS. Razão? A Apple pode “obrigar” os utilizadores a atualizar o iPhones, porque também fabrica os aparelhos que utilizam o seu sistema operativo. Já a Google depende da vontade dos fabricantes, que, por vezes, não têm incentivo a querer que os utilizador atualizem os dispositivos para não desatualizar alguns componentes dos aparelhos que foram pensados para versões de software anteriores.

Assim, a Google quer um novo sistema operativo porque pretende implementar, de origem, novas funcionalidades como o reconhecimento por voz e realidade aumentada (atualmente, o Android, só nas versões mais recentes é que começa a ter estas funcionalidades, que o iOS já introduziu de forma mais ampla no mercado).

Até este novo sistema operativo ser disponibilizado pela Google pode demorar. Mesmo com o Android a encontrar obstáculos na União, continua a ser o principal sistema operativo da empresa americana.