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Jean-Claude Juncker

“Quando trazem um copo de água a Juncker todos sabem que é gin”, diz veterano correspondente em Bruxelas

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Juncker cambaleou, demasiado, na cimeira da NATO. O jornalista Jean Quatremer, um dos veteranos em Bruxelas, questiona se o presidente da Comissão Europeia ainda estará em condições de governar.

Apesar da crise ciática, Jean-Claude Juncker estava bem disposto e sorridente

AURORE BELOT/AFP/Getty Images

“Quando um assistente lhe traz [a Juncker] um copo de água durante o conselho de ministros, todos sabemos que é gin.” A afirmação é de um antigo ministro, mas justifica bem a razão porque Jean Quatremer, um correspondente veterano em Bruxelas, decidiu a analisar a “doença súbita” do presidente da Comissão Europeia na cimeira da NATO. É que se o líder europeu não está em condições de governar e continua a fazê-lo, poderá estar alguém atrás do pano a governar por ele. Para o jornalista francês é Martin Selmayr, secretário-geral da Comissão Europeia, que chegou ao cargo sem ser eleito.

O final da cimeira da NATO, que decorreu nos dias 11 e 12 de julho, podia ter sido marcado pelos passos firmes dados pelos Estados-membros para contrariar a exigência dos Estados Unidos em aumentar o investimento na defesa, mas foram os passos cambaleantes de Jean-Claude Juncker, que captaram a atenção dos media. O presidente da Comissão Europeia mostrou-se indignado e justificou tinha tido uma cãibra. “Francamente, não tenho tempo para esses disparates mesquinhos.” Mas Jean Quatremer tem e deixou-o bem claro num artigo publicado na revista britânica The Spectator.

Ficou claro que o presidente da Comissão Europeia estava com dificuldades de equilíbrio no jantar de gala da cimeira da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Primeiro hesitou ao subir ao pódio, depois teve de ser apoiado por duas pessoas durante a demonstração e novamente para descer e seguir caminho. Até o primeiro-ministro António Costa teve de lhe dar uma mão.

“Na noite de quarta-feira, o presidente [Juncker] sofreu uma crise particularmente dolorosa de ciática, acompanhada de cãibras. O presidente já disse publicamente que a ciática condiciona a sua a capacidade de andar, o que infelizmente foi o caso na noite de quarta-feira”, explicou na altura Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia.

Jean Quatremer levanta dúvidas sobre esta crise ciática. “Isso sugere que Juncker estivesse a sofrer de dores nas costas agonizantes, mas ele não parecia estar a sofrer de nenhum desconforto. O vídeo mostra-o a sorrir, rir, falar e beijar os colegas à medida que o ajudavam a andar.” O alívio podia muito bem ser atribuído aos analgésicos, mas à partida isso seria incompatível com a quantidade de álcool que o presidente da Comissão Europeia terá bebido ao jantar.

Quem já sofreu uma crise ciática, sabe bem que não só é difícil andar como estar sentado ou levantar-se. É por isso que Jean Quatremer questiona como é que Juncker, dois dias depois, conseguiu fazer uma visita à China e Japão. Um voo direto de Bruxelas a Pequim são nove horas, o que não é muito fácil de suportar durante uma crise ciática.

Há uns anos o presidente da Comissão Europeia explicou que tinha um problema de equilíbrio na perna esquerda por causa de um acidente que sofrera em 1989. O jornalista francês dá voz ao burburinho dos corredores de Bruxelas e afirma que o problema é “Juncker gostar muito da garrafa”.

As atitudes mais brincalhonas em certos eventos oficiais podem ser resultado dessa pequena paixão pelo copo, embora haja quem o justifique com a “personalidade efervescente” do líder europeu. Mas o comportamento de Juncker na cimeira da NATO ultrapassou a piada, considera Jean Quatremer. “Os vídeos sugerem um homem seriamente doente. Por outras palavras, põe em questão a sua capacidade para governar.”

Para o jornalista isto é um caminho aberto para Martin Selmayr, secretário-geral da Comissão Europeia e protegido do atual presidente. A deterioração do estado de Juncker para governar e o crescente poder de Selmayr fazem Quatremer suspeitar que o fantoche aqui é o presidente da Comissão Europeia.

Corrigido: primeira citação.

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