Sunflowers / Baxter Dury

19h20, palco LG by Rádio SBSR / 19h20, palco EDP

Porque não começar o dia logo a 100 quilómetros à hora? Qualquer desculpa é boa para sacudir o corpo quando a banda sonora se presta a isso — e abanões é coisa que não falta a este grupo portuense formado em 2014. Carolina Brandão — a baterista de voz sensual — e Carlos de Jesus — que trata a guitarra por tu — são os responsáveis por este autêntico turbilhão punk pleno em distorção e energia.

O duo que vai atuar no palco LG by SBSR é conhecido pela forma descomplicada como dá a conhecer os seus trabalhos, “soltando” na Internet cada canção nova de forma espontânea e sem aviso. Entre singles, EPs e outros formatos, somam já nove obras divulgadas. A mais preponderante será o disco The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy e, ao que tudo indica, o álbum em questão será o fio condutor de todo o concerto.

Uns metros mais ao lado, debaixo da famosa pala do Pavilhão de Portugal, o registo musical muda completamente muito por culpa do britânico Bxater Dury, que toca à mesma hora. Filho do lendário Ian Dury, o vocalista dos The Blockheads, é um artista difícil de descrever. Da veia punk que lhe corre nas veias sobre muito pouco ou quase nada, talvez apenas as letras simples e diretas assim como uma ou outra linha de baixo mais carregada. Aquilo que Dury toca é uma amalgama estranha de rock alternativo a roçar o pop, que ganham uma textura inconfundível muito graças à voz profunda, que anda sempre muito perto do registo spoken word do vocalista. Melodias simples, ritmadas q.b. e um sotaque inglês serrado fazem deste músico uma brisa refrescante num meio onde cada vez mais tudo soa à mesma coisa.

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Stormzy

20h, palco Super Bock

Não conseguiu bilhete para o segundo dia do festival, aquele onde quem manda é o hip-hop? Não se preocupe: o homem responsável por estrear o palco principal do SBSR é um dos rappers europeus (pelo menos até o Brexit ser oficializado, já que o rapaz em questão é de nacionalidade britânica) mais influente dos últimos anos.

Numa altura em que quem domina a Internet domina tudo o resto, os milhões de seguidores que este Michael Omari (o seu nome verdadeiro) foi juntando desde 2013, ano em que começou a fazer uploads de vídeos onde aparecia a “rappar” em freestyle, são significativos. Um ano depois, estreou-se nos registos físicos com o EP Dreamers Disease e logo depois, em 2017, com o primeiro longa duração, Gang Signs & Prayer, um clássico instantâneo que quebrou recordes a torto e a direito (foi, por exemplo, o único disco a ter todas as suas canções no top 50 do Spotify).

Stormzy é um devoto do tão característico grime inglês. Nas suas canções, rima sobre a vida e o dia-a-dia nos subúrbios empobrecidos e ostracizados dos arredores de Londres — de onde é natural. Canta a diferença e a revolta quase adolescente de quem luta por ser respeitado mesmo sendo diferente dos outros. Não é todos os dias que se tem oportunidade de assistir a um artista desta envergadura no auge da sua carreira, por isso, é aproveitar.

Benjamin Clementine

21h40, palco Super Bock

O que dizer sobre o homem que já enfeitiçou Portugal inteiro mais do que uma vez? Apesar da curta discografia (soma apenas dois álbuns de originais), Clementine já atingiu o Olimpo dos grandes interpretes, muito graças à sua forma meio alienígena (em aspeto e personalidade) de tocar as pessoas. Como uma das vozes mais singulares das últimas décadas, o músico e interprete inglês irá trazer, tudo indica, um alinhamento semelhante ao que já apresentou noutras paragens nacionais. Contudo, é sempre boa ideia revisitar a sua obra pautada por baladas que têm tanto de esmagador como de sensível.

Os tempos que passou a tocar nas ruas de Paris deram o fundo triste, crítico e reivindicativo que hoje funciona como espinha dorsal das suas canções. Mentalize-se que irá assistir a um momento solene e guarde lugar na Altice Arena para ver aquele que será um dos concertos mais aguardados do festival.

Julian Casablancas + The Voidz

00h, palco Super Bock

Os the Strokes podem já ter atirado a toalha ao chão enquanto grupo, mas isso não impediu que o seu carismático vocalista — Julian Casablancas, esse mesmo — encontrasse outro escape para a sua veia criativa musical. Depois do lançamento de Comedown Machine, em 2013, o menino bonito do rock dançante dos anos 2000 pôs de lado em definitivo a banda que ajudou a lançá-lo e apostou na formação que vai fechar o palco principal do festival.

Com uma roupagem mais densa, a sonoridade deste ainda jovem projeto (começaram em 2014 com o lançamento de Tyranny e regressaram em 2018 com Virtue) mantém alguns laivos que, se fecharmos os olhos, fazem lembrar os Strokes de outros tempos. Contudo, este rock ficou mais sujo e pesado, talvez sinal de que Julian se deixou influenciar mais por grupos mais punk como os Black Flag, por exemplo. Mudanças à parte, a verdade é que certamente será uma boa oportunidade de dançar, cantar e tudo mais. Com sorte, até se poderá ouvir o enorme hit, “I’ll Try Anything Once”.