Incêndios fora de controlo a leste de Atenas provocaram pelo menos 20 portos e mais de 100 feridos, incluindo 16 crianças, segundo informação avançada por um porta-voz do governo grego, citado pela agência Reuters. O maior número de vítimas foi registado em Mati, apanhados numa zona turística na costa a cerca de 40 quilómetros da capital grega, dentro de casa ou em carros.

A Agência de Proteção Civil da Grécia anunciou esta segunda-feira que o país vai pedir ajuda à União Europeia (UE) para combater os incêndios florestais que lavram perto da capital, Atenas.

“Infelizmente registamos o maior número de feridos, mas também de vítimas mortais, pessoas que não conseguiram fugir e que ficaram encurraladas em casa ou nos carros”, afirmou o porta-voz do Governo, Dimitris Tzanakopoulos, numa mensagem televisiva.

Horas antes, um porta-voz da organização de emergência e ambulâncias EKAV confirmou que, até às 24:00 de segunda-feira, já tinham a confirmação de seis mortes nos incêndios, uma delas uma jovem de 15 anos, registando-se ainda 56 feridos, 11 deles em estado critico nos cuidados intensivos hospitalares da região de Ática.

Os incêndios devastaram casas e obrigaram a diversas evacuações, com as autoridades gregas a declararem o estado de emergência e a pedirem ajuda europeia. Um dos mortos foi encontrado carbonizado dentro de seu carro, em Mati, no leste de Ática, segundo disse Miltiadis Mylonás, vice-presidente da agência de ambulâncias EKAV.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras encurtou uma visita oficial à Bósnia para ajudar a responder a situação que os bombeiros descrevem como extremamente difícil. “Iremos fazer que aquilo que é humanamente possível para o controlar”, afirmou. Já o ministro da Administração Interna (Ordem Pública), Nikos Toskas, pediu cautela aos cidadãos e sugeriu que os incêndios podem ter sido provocados.

Centenas de bombeiros continuam a tentar controlar sete grandes incêndios que assolam a Grécia desde o início da tarde de segunda-feira, mas os trabalhos estão a ser dificultados por ventos fortes. A situação já é considerada a mais grave dos últimos dez anos.

Um dos incêndios, a cerca de 50 quilómetros de Atenas, obrigou à evacuação de três localidades onde reduziu a cinzas dezenas de casas e causou o encerramento ao tráfego durante dezassete quilómetros da autoestrada de Olímpia, que liga a capital com o Peloponeso, porque as chamas estão muito próximas da estrada.

Os incêndios afetaram as linhas elétricas, o que originou cortes de energia, e também deixaram vários banhistas presos numa praia de Atica, depois de ficarem cercados pelas chamas.

Segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), o pedido formal de ajuda à UE para o envio de meios foi enviado ao final da tarde desta segunda-feira. No mesmo dia estava em curso uma operação de resgate a dez turistas que fugiram do fogo de barco. Um dos focos dos incêndios está perto de um dos portos da capital grega.

Testemunhos recolhidos pelo Observador em Atenas referem que há muito fumo e até cinzas a cair na cidade. As autoridades regionais gregas declararam o estado de emergência nas partes leste e oeste da grande Atenas, à medida que os incêndios provocados pelos ventos fortes se espalharam pelas florestas de pinheiros e pelas cidades junto ao litoral, em ambos os lados da capital grega.

Um primeiro incêndio florestal deflagrou esta segunda-feira a nordeste de Atenas, na área de Penteli, estendendo-se à cidade de Rafina. Na cidade vizinha de Mati, a guarda costeira enviou um barco de patrulha para retirar as pessoas de uma praia que ficou cercada pelas chamas.

O segundo incêndio devastou florestas montanhosas de pinheiros, a 50 quilómetros a oeste de Atenas. O incêndio criou uma nuvem de fumo tão espessa que as principais vias rodoviárias entre o Peloponeso (extensa península no sul da Grécia) e Grécia continental, foram fechadas e uma nuvem alaranjada abateu-se sobre Atenas.

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