A dois dias das eleições legislativas de 25 de julho, Paquistão enfrenta instabilidade na cena política e económica, com minorias religiosas a serem excluídas e a segurança a ser ameaçada pelo terrorismo. O Governo interino está em negociações preliminares com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para atribuição de um empréstimo, repetindo o panorama das últimas eleições, em 2013, quando o Estado recebeu um pacote de ajuda de 5,3 mil milhões de dólares, pago na totalidade no passado mês de outubro.

A nível político, novos partidos com ideologias radicais fizeram a sua entrada, para além de dúvidas de interferências nas eleições por parte do Exército. Pela segunda vez na história do país, as eleições realizam-se naturalmente depois do governo civil completar o mandato de cinco anos.

As eleições de 25 de julho põem frente a frente Shahbaz Sharif, líder da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N), partido vencedor das últimas eleições, e o ex-jogador de críquete Imran Khan, do Tehreek-i-Insaf (PTI), candidato pela segunda vez desde 2013.

Shahbaz Sharif é irmão de Nawaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão por três vezes, sem nunca ter cumprido um mandato completo (de 1990 a 1993, 1997 a 1999 e 2013 a 2017). Bilawal Bhutto, na frente do Partido Popular do Paquistão (PPP) assume-se como um terceiro ator e com um papel determinante na possível formação de um governo de coligação, como escreve a agência espanhola EFE.

O político é filho de Benazir Bhutto, primeira-ministra assassinada em dezembro de 2007, primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um Estado muçulmano moderno – eleita duas vezes, em 1988 e 1993, não terminou nenhum dos dois mandatos.

Partidos políticos, grupos de direitos humanos e meios de comunicação fazem circular acusações de fraude por parte dos “poderes estabelecidos”, termo com que se faz referência às forças militares no país asiático, segundo a EFE. As minorias religiosas do país protestam contra a discriminação de que se sentem alvo, com várias comunidades a anunciarem o boicote às eleições.

A 13 de abril deste ano, o terrorismo voltou a atacar a política, com um ataque suicida num ato de campanha na região de Mastung, reivindicado pelo Estado Islâmico, que provocou a morte a 149 pessoas. Três dias antes, o candidato Haroon Bilour e 21 outras pessoas foram mortas num ataque suicida. O último ato eleitoral, a 11 de maio de 2013, ficou marcado pela morte de quase 30 pessoas em diversos atentados perpetrados por grupos rebeldes.