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Robótica

Casa Pia cria laboratório de fabricação onde todos podem ser inventores

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Impressão 3D, modelação, maquinação, robótica ou microeletrónica são algumas das áreas de trabalho do novo laboratório da Casa Pia, que estará em pleno funcionamento em setembro.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Impressão 3D, modelação, maquinação, robótica ou microeletrónica são algumas das áreas de trabalho do novo laboratório da Casa Pia, o concretizar de um sonho dentro do novo projeto educativo e que estará em pleno funcionamento em setembro.

O novo laboratório foi inaugurado a 2 de julho e chama-se Fab CP, em que Fab está para a palavra inglesa ‘Fabrication’ e CP para Casa Pia, mas o objetivo é poder vir a ser um Fab Lab, ou seja, um ‘Fabrication Laboratory’, que na prática se traduz num laboratório de fabricação onde se tem acesso às mais variadas tecnologias.

Pretendemos fazer parte da rede Fab Lab, mas ainda estamos a trabalhar no processo de candidatura”, explicou o diretor executivo do Centro de Educação e Desenvolvimento de Pina Manique, onde está instalado o Fab CP, acrescentando que se está a tratar disso ao mesmo tempo que se trabalha a vertente académica.

Renato Florentino adiantou que naquele espaço, que abrange dois andares, as áreas de trabalho vão desde a impressão 3D, impressão de grandes formatos, modelação 3D, espaço oficina para trabalhar as peças criadas, espaço para maquinação, uma zona dedicada à robótica ou à microeletrónica e um espaço de audiovisuais para ajudar a dar visibilidade aos projetos.

O Fab CP, apesar de ser um projeto da Casa Pia, não se fica entre as quatro paredes da instituição e não só pretende ser o espaço de criatividade de todos os alunos casapianos, como está de portas abertas a todas as pessoas que tenham uma ideia e precisem dos recursos para a por em prática.

Além disso, tem ainda uma característica que “não é muito vulgar”, já que está preparado para trabalhar com crianças de todas as idades.

Grosso modo, da primária para a frente, em qualquer nível escolar. Temos possibilidade, temos capacidade, temos ‘know-how’, temos professores capazes de trabalhar em qualquer idade, qualquer escalão etário, qualquer escalão pedagógico”, sublinhou Renato Florentino.

Um dos projetos atualmente a ser desenvolvido no Fab CP vai apoiar os alunos surdo-cegos da instituição que precisam de algo que facilite a aprendizagem de braille através do toque, mas sem a preocupação que, ao manusear, a peça possa cair ao chão.

Surgiu então a ideia de criar uma célula, mais ou menos com a dimensão de um telemóvel atual, com seis circunferências recortadas onde encaixam seis peças redondas, e que vai fazer a relação entre uma letra e o código braille.

Em princípio, esta célula, por baixo do plástico, terá uma chapa de material ferroso. As peças vão levar um íman e ao colocarem-se aqui, o íman é atraído à chapa metálica e quando a célula se vira já não há o problema de as peças caírem”, explicou o professor João Brasileiro, sublinhando que ainda estão a estudar o que será ergonomicamente mais adequado.

Na parte da robótica, Ricardo Lourenço, aluno do 8.ºano, testa o robô que desenvolveu para uma competição de obstáculos. Conta que sempre gostou de tecnologia e que é isso que quer seguir no futuro.

“Quero construir robots para ajudarem as pessoas, para irem para as fábricas, para substituírem muitas coisas que nós fazemos e que pode ser feito por um robot que está à nossa disposição”, justificou.

À Lusa, a diretora da Casa Pia de Lisboa explicou que o Fab CP é resultado do novo programa pedagógico que a instituição está a implementar desde há três anos, com “um modelo muito centrado no desenvolvimento de projetos, que tenta centrar a aprendizagem no aluno”, libertando-os do modelo de sala de aula tradicional.

No âmbito desse novo programa pedagógico foram construídos diferentes estúdios, nos vários colégios, cada estúdio dedicado a uma área, desde a informática, línguas ou artes, que serve tanto os alunos do ensino regular, como os dos cursos de educação e informação ou os cursos profissionais.

Este novo modelo de aprendizagem está já implementado em 86 das cerca de 180 turmas, mas Maria Cristina Fangueiro espera que no ano letivo 2021/2022 ele esteja plenamente a funcionar em todas as turmas.

O Fab é o concretizar de um sonho e vem dar uma projeção maior porque é um espaço que permite fazer coisas que não se podem fazer nos estúdios”, sublinhou.

De acordo com a responsável, o objetivo é preparar as crianças com as competências necessárias para o seu futuro, colocando a Casa Pia “na vanguarda da educação e da formação profissional no século XXI”.

O Fab CP custou, para já, cerca de 200 mil euros e vai estar plenamente operacional a partir de setembro, tendo capacidade para receber entre 30 a 40 pessoas, apoiadas por uma equipa de 10 professores.

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