Foram quase duas décadas no vermelho, enquanto estava sob a aba do chapéu da General Motors (GM). Mas a Opel volta a ver “fumo branco” depois de ter passado para as mãos da Grupo PSA, comandado por Carlos Tavares. O gestor português, que salvou a PSA da bancarrota, voltou a fazer a sua magia após a aquisição da Opel/Vauxall. E foi mais rápido do que aquilo que se pensava: bastaram-lhe poucos meses para dar a volta às contas e o relatório financeiro relativo ao primeiro semestre de 2018 está aí para prová-lo. A Opel regressou aos lucros que, em termos operacionais, se cifraram em 502 milhões de euros. Isto quando, recorda o analista da Evercore ISI, tinha perdido 179 milhões de euros no último semestre de 2017.

Esta inversão teve o condão de surpreender até os analistas de mercado. Inclusivamente, as estimativas da própria J.P. Morgan, como fez questão de sublinhar o director financeiro da PSA. Segundo Jean-Baptiste Chatilon, “depois de um longo período a acumular prejuízos, a Opel atingiu um nível significativo de rentabilidade”, acrescentando que “está claramente em marcha a reviravolta na Opel/Vauxhall”.

E, se dúvidas existissem, Tavares surgiu para assinalar que os números agora divulgados “são os primeiros sinais de uma recuperação bem-sucedida”. Mas, até que ponto?

É a recuperação mais rápida na indústria automóvel em muitos anos. Num ano, a Opel chegou aos lucros, coisa que não acontecia desde 1999, quando estava sob a égide da GM”, sublinha o analista da J.P. Morgan, José Asumendi.

O truque está… na austeridade!

A recuperação da Opel foi impulsionada por um corte de 28% nos custos fixos, como despesas de marketing, por exemplo. Mas também porque o construtor alemão terá tido uma poupança de 700€ em cada veículo produzido. Some-se-lhe a dieta nas “compras”, menos activos em depreciação e as sinergias obtidas no grupo e… parece ser este o caminho a seguir.

Esse e despedimentos: aos 3.700 postos de trabalho suprimidos na produção, a PSA planeia somar outros tantos, pois confirmou no mês passado que estava “vendedora” da actividade de pesquisa e desenvolvimento que actualmente emprega 4.000 pessoas.

Mas como este exercício não se faz só por via da despesa, a contribuir para as receitas está a óptima receptividade que os SUV da Opel estão a colher junto dos clientes. O que leva o CEO do fabricante, Michael Lohscheller, a acreditar que a expansão da gama X e a chegada dos novos Combo e Combo Life vão dar continuidade a este novo ciclo, que acaba de ser inaugurado.