O Fundo Monetário Internacional encorajou esta quinta-feira a China a acelerar as reformas estruturais e a prestar atenção ao “crescimento insustentável” do crédito, para manter o crescimento económico ao mesmo tempo que reduz a dívida.

A instituição financeira apontou “o contraste” entre os objetivos declarados por Pequim, como a estabilização do endividamento, o papel decisivo reconhecido ao mercado, maiores aberturas, e o aumento “sempre insustentável” do crédito, o intervencionismo invasivo do Estado ou ainda as restrições às trocas e ao investimento.

Se estas tensões não forem resolvidas, podem ameaçar os objetivos (de crescimento) das autoridades” e encorajar uma “política de recuperação impulsionada pelo crédito”, como depois da crise financeira de 2008, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) num relatório.

Esta reviravolta pode “intensificar as vulnerabilidades chinesas” e levar a “um brutal reajustamento” da segunda economia mundial, sublinhou. O alerta do FMI surgiu quando, ainda esta semana, Pequim prometeu “uma política fiscal mais ativa” para estimular a economia, com deduções fiscais e emissões de títulos para financiar projetos de infraestruturas.

Uma política baseada na direção [do Estado] e no crédito servirá apenas para manter uma má distribuição de recursos e intensificar os riscos”, sublinhou o relatório.

Apesar do crescimento, impulsionado pelas exportações e gastos públicos, a dívida total da China continua a subir, advertiu o FMI, segundo o qual a dívida será superior a 260% do PIB este ano, excluindo o setor financeiro. A situação levou Pequim a cortar as despesas das coletividades locais e a reforçar as advertências sobre produtos de investimentos “opacos”.

Confrontada com um abrandamento económico e tendo como pano de fundo um agravamento das condições de crédito e a escalada das tensões comerciais com os Estados Unidos, a China poderá registar uma taxa de crescimento de 6,6% em 2018 e de 6,4% em 2019, num claro abrandamento em relação a 2017 (+6,9%).

O FMI lamentou que os “objetivos quantitativos de crescimento” fixados por Pequim possam levar à adoção de uma “política de recuperação incompatível com as necessidades de desenvolvimento a longo prazo” e pediu às autoridades chinesas que intensifiquem as reformas estruturais e a “reduzirem a presença do setor estatal em alguns domínios”.

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