Joana Vasconcelos

“Lilicoptère” de Joana Vasconcelos, peça de grandes dimensões, “aterrou” no Guggenheim em Bilbau

O "Lilicoptère", uma peça de grandes dimensões criada por Joana Vasconcelos, entrou na quinta-feira no Museu Guggenheim de Bilbau, em Espanha, na exposição "Sou o teu espelho".

LUIS TEJIDO/EPA

O “Lilicoptère”, uma peça de grandes dimensões criada por Joana Vasconcelos, entrou na quinta-feira no Museu Guggenheim de Bilbau, em Espanha, na exposição “Sou o teu espelho”, que reúne cerca de 30 obras até novembro.

Inaugurada a 29 de junho, a exposição integra 14 obras inéditas, entre elas a instalação de grande dimensão “Egeria”, concebida especificamente para ficar suspensa no átrio do museu desenhado pelo arquiteto norte-americano Frank Gehry.

Realizada em 2012, esta peça tem a forma de helicóptero, está pintada em dourado, e coberto por milhares de brilhantes da empresa Swarovski, e ainda coberta por uma capa de coloridas plumas de avestruz.

Devido “à necessidade de ajustes técnicos”, segundo a organização, o “Lilicoptère” não foi colocado logo no início da inauguração da exposição que reúne obras realizadas entre 1997 e a atualidade.

A peça foi apresentada aos media pela própria artista, que explicou ser uma criação que “bebe da estética do Antigo Regime pela sua sumptuosidade e glamour”, e sugere ao espetador uma metamorfose da máquina em animal, “como metáfora do regresso às origens”. O “Lilicoptère” esteve patente na grande exposição que Joana Vasconcelos apresentou no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, em 2013.

Conhecida pelas suas obras em grande dimensão de objetos da vida quotidiana, Joana Vasconcelos, que nasceu em Paris, em 1971, colocou nesta mostra outras obras inéditas de grande impacto visual, como “I’ll be your mirror” (“Eu serei o teu espelho”), uma enorme máscara veneziana formada por molduras em bronze com espelhos.

A exposição – que é uma homenagem à célebre cantora alemã “Nico” (Christa Päffgen), que interpretou a canção “I’ll be you Mirror” (1967), escrita por Lou Reed e interpretada com o mítico grupo musical de Nova York The Velvet Underground – pode ser visitada até 11 de novembro, tem uma seleção de

A exibição começa com algumas peças emblemáticas dos primeiros anos da carreira de Joana Vasconcelos, como “Cama Valium” (1998), “Burka” (2002) e “A Noiva” (2001-2005), em que a artista aborda questões relacionadas à identidade feminina, tanto na esfera privada como na esfera política e social. A mostra inclui alguns de seus trabalhos mais recentes, como “Marilyn” (2009-2011), “A Todo o Vapor” (2012) e “Call Center” (2014-2016)

No exterior do museu estão instaladas duas obras: o já conhecido “Pop Galo” (2016) e o inédito “Solitário”, um anel de noivado gigante, feito com jantes de automóveis de luxo e copos de uísque, num trabalho que conjuga dois dos símbolos mais estereotipados do desejo feminino e masculino.

O Museu Guggenheim de Bilbau, na Comunidade Autónoma do País Basco (norte de Espanha), é uma sala de exposição privada inaugurada em 1997, com uma arquitetura inovadora caraterizada por formas curvas e retorcidas, cobertas por calcário, vidro e titânio.

O museu, que recebe mais de um milhão de visitantes por ano, rapidamente se tornou na imagem mais icónica de Bilbau, tendo contribuído de forma decisiva para a transformação e modernização da que, até à altura, era considerada uma cidade industrial e decadente.

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