Cuidado: está quente

Verão de barriga cheia: sete novidades para comer em agosto

Poke, alheiras, cocktails e cozinha de autor: escolha não falta para rechear o estômago durante o mês do calor e do descanso (para alguns, pelo menos). Tome nota destas sugestões em Lisboa e no Porto.

Luís Ferraz

Os dias estão mais compridos, as noites mais quentes e isso quer dizer que o verão parece ter chegado, finalmente. Muitos aproveitam a altura do ano para tirar férias, outros não conseguem ter essa sorte, mas independentemente disso esta não deixa de ser uma boa altura para ir jantar ou almoçar fora e aproveitar o bom tempo. Foi precisamente com isso em mente que o Observador juntou algumas das mais recentes novidades para que tenha por onde escolher, quando chegar aquela altura em que a fome cresce tanto quanto as temperaturas.

Local, Your Healthy Kitchen

Av. 24 de Julho 54B, Lisboa; 926 437 085; Das 8h30 às 22h30 (domingo das 9h às 15h); 12€ (preço médio)

Fazendo justiça à ideia de que “não há duas sem três”, Maria Grey decidiu abrir o terceiro Local, Your Healthy Kitchen na zona de Santos, em Lisboa, com o rio mesmo ali ao lado. Mantendo-se fiel ao estilo de cozinha que começou por servir no Mercado de Cascais, primeiro, e no Palácio Chiado, logo depois, esta mãe de cinco filhos continua a apresentar uma série de pratos equilibrados, leves e ideais para o calor da estação.

Aqui vai poder encontrar o saboroso húmus com cenoura e aipo (a 5,20€) ou o guacamole com chips de tortilha (a 5,60€). Esta é uma possível sugestão de entradas, para pratos principais tem os já conhecidos e bem populares poke, prato tradicional havaiano que consiste em cubos de peixe cru temperados e condimentados. Na carta está a versão ocidentalizada desta confeção que fica sempre mais colada ao prato japonês chirashi (tigela de arroz com peixe em cima). Existem as taças já feitas — como a deliciosa Surf, que leva salmão, atum, manga, abacate, edamame, pepino, cebola crocante, malagueta arroz de sushi e molho clássico, custa 12,50€ — e tem sempre a opção de criar a sua própria. Se lhe apetecer algo mais substancial opte pelo frango teriaki com noodles de ovo e legumes asiáticos (12,40€), por exemplo, ou até o atum braseado com millet, batata doce e molho chimichurri (11,90€).

Uma das grandes (e irresistíveis) novidades deste recente Local surge numa casca fresca e com recheio a mar: as ostras da Aqua Prime, empresa que as recolhe na zona da Ria Formosa, no Algarve, estão aqui disponíveis todos os dias e podem facilmente fazer o dia de todos aqueles que trabalhem ali perto (e não só) e que gostei de “picar” qualquer coisa e beber um copo antes de ir para casa.

StairWell Wine Bar & Creative Food

Rua da Misericórdia, 139, Lisboa; 213 471 644; Das 16h às 23h (fecha segunda-feira); 30€ (preço médio)

O restaurante Porto Santa Maria diz-lhe alguma coisa? Sim, é aquela casa histórica na zona do Guincho especializada em peixe. Pois bem, este novo StairWell é o mais recente bastião desse grupo em Lisboa e ocupa o espaço onde anteriormente existiu o Organic. Dividido em duas partes — bar de vinho e tapas no primeiro andar e sala de jantar no andar inferior –, este espaço é liderado pelo chef Gonçalo Caratão, cozinheiro que acaba de chegar do norte da Europa, de vários estágios em alguns dos melhores restaurantes do mundo.

Na carta existem alguns pratos partilhados com a casa mãe na zona costeira da serra de Sintra/Cascais, como o grão negro e as gambas à guilho (12€ por 12 unidades) e também algumas criações originais como o risotto com texturas de cogumelos (17€) ou as plumas de porco confitadas com batata e chouriço (18€). Aqui poderá experienciar também uma degustação de vinhos ou de azeites.

Pesca

Rua da Escola Politécnica, 27, Lisboa; 213 460 633; das 12h às 15h e das 19h às 00h (fecha segunda-feira); 70€ (preço médio)

O mais recente projeto do chef Diogo Noronha pode não ser uma novidade — afinal, abriu há quase um ano –, mas há poucas semanas deu uma reviravolta na carta e adaptou a oferta de pratos à aquilo que o verão tem para dar. Nesta nova carta mantem-se a aposta fiel (e exclusiva) aos produtos do mar, seja peixe ou marisco, e continua também a imperar o principio da cozinha responsável e sustentável. Onde estão as diferenças, então?

Um dos pratos novos, por exemplo, é a homenagem à sardinha portuguesa (na foto) em que o dito animal aparece acompanhado de um cremoso de grão de bico, pimentos vermelhos braseados, citrinos, rúcula e ice plant (14€, à carta). Há ainda a anchova com bisque de milho doce, espigas assadas, berbigão em escabeche e tapenade de azeitona negrinha (29€) e no capitulo das sobremesas — onde quem manda continua a ser o chef pasteleiro Claiton Fernandes — há uma fantástica e subtil construção de ruibarbo e morangos (válida apenas num dos menus de degustação, o Maresia, que tem 3 momentos e custa 50€ sem vinhos; há ainda o Maré, com 6 pratos e custa 80€ sem vinhos). Merece destaque ainda a carta de vinhos, que aposta forte em vinhos biodinâmicos e biológicos, e, claro, o excelente trabalho do barman Fernão Gonçalves, que pode preparar-lhe bebidas como o refrescante vodka fizz com flor de sabugueiro e pepino (14€).

A Carpintaria

Av. 24 de Julho 6A, Lisboa; (213960532 / 927701235); Todos os dias das 12h às 24h

É em plena avenida 24 de Julho que se situa A Carpintaria, um restaurante que assume ser diferente dos demais por reinventar a cozinha italiana num espaço bem familiar. O nome é o mais português que podia haver e surge em homenagem ao negócio – de madeiras, claro – do pai de Alberto Marques, o dono do espaço. Acolhedor e confortável, dispõe da sala principal de refeições, de uma esplanada e ainda de um espaço no piso superior adequado a jantares de grupo. Assim que se entra, pode ver-se ao fundo um pequeno palco: sim, ali também há música. Todas as sextas e sábados há bandas convidadas.

Como seria de esperar, na carta, criada com a ajuda do chefe Pedro Ramos, não faltam as pizzas, como a Carpintaria (a 12€) — com tomate San Marzano, mozarella, rúcula, tomate cherry, lascas de parmesão e creme balsâmico — e a 24 de Julho (a 11€) – com mozarella, atum, cebola e azeitona –, nem mesmo as pastas. Se for até lá, não deixe de provar o Risotto de Espargos e Parmesão (a 11€) e o Linguini Neri com ameijoa e camarão fresco (a 12€), acompanhados da Limonada de frutos silvestres (a 2,10€).

Doca de Santo

Doca de Santo Amaro, Lisboa; 21 396 3535; Todos os dias, das 09h às 02h

Entre a tradição e a modernidade: é assim que pode ser descrito o restaurante Doca de Santo, renovado ao fim de 22 anos de existência. No local de sempre — a Doca de Santo Amaro – e com vista para o Tejo, o espaço surge agora com uma imagem mais descontraída, onde é possível aproveitar a esplanada e a zona lounge, com um bar de cocktails e refeições mais leves, sempre rodeados por um agradável jardim exterior, que, de certa forma, se estende par ao interior do espaço. O restaurante dispõe ainda de uma nova área onde as crianças podem brincar em segurança.

A carta, que contou com a colaboração do Grupo José Avillez, acionista do Grupo Capricciosa, proprietário do restaurante Doca de Santo, junta os clássicos de sempre, como é o caso do tradicional Prego na Frigideira (a 9,95€) e do icónico Caril de Gambas (a 12,95€), com algumas novidades. Para os mais modernos há agora opções como o Risotto de Cogumelos (a 13€), o Tártaro de Atum (a 11€) ou o Ceviche de Salmão (a 8,25€). E porque os mais pequenos também contam, foi ainda desenhado um menu infantil a pensar neles.

Vogue Café Porto

Rua de Avis, 10, Porto; 308 805 826; Das 11h à 1h (sexta e sábado fecha às 2h); 203 (preço médio)

Coincidência das coincidências: Madonna muda-se para Portugal e, em pouco tempo, é inaugurado o primeiro Vogue Café do país, bem no centro da baixa portuense. Uma coisa não tem nada a ver com outra (tirando o facto da canção “Vogue” ser um dos maiores sucessos da cantora), atenção, mas independentemente disso, esta não deixa de ser uma das grandes novidades da Invicta, por muito que não tenha sido consensual a ideia de fechar uma das livrarias mais antigas da cidade para que no seu lugar abrisse este estabelecimento cosmopolita.

Foi desta forma que o Porto se juntou a cidades como Doha, Moscovo ou Kiev, locais onde já existia este franchise que pretende trazer todo o glamour da histórica revista para um local real e visitável. Aqui vai encontrar, principalmente, refeições ligeiras como a burrata com tomate cherry e manjericão (13€), os noodles soba vegetarianos com tofu, lima, citronela e hortelã (a 15€) ou até a salada de queijo roquefort com folhas verdes e pera rocha (13€). Na zona da coquetelaria — porque sim, qualquer nova abertura, hoje em dia, tem de ter cocktails — há para provar o Nail Mary, que leva vinho do Porto branco seco com beterraba, pepino, tabasco verde, vermelho, sal e pimenta (14€) ou até o Lady in Pink, uma mistura de framboesas, morangos e espumante (também 14€).

A Brasileira

Rua Sá da Bandeira, 75, Porto; 965 051 261; Das 12h30 às 15h30 e das e9h30 às 23h (não fecha); 30€ (preço médio)

É o regresso de um clássico. A mítica Brasileira do Porto, que conta com 115 anos de história, reabriu há poucos meses, como parte integrante de um hotel com o mesmo nome, sob a batuta do chef Rui Martins, o mago das carnes que em 2016 foi distinguido como Chef Cozinheiro do Ano. Depois cimentar o Rib Beef & Wine, também ele no Porto, como uma das várias referências gastronómicas da cidade lançou-se nesta nova aventura que assenta de pés firmes no receituário clássico da comida tradicional portuguesa.

Ora é precisamente por isso que se encontra na ementa pratos como o bacalhau à Brás com gema confitada (12€), o a presa de porco Ibérico no pão com batatas fritas (8€), tripas à moda do Porto (12€) — claro — ou até uma bela alheira com ovo e grelos (8€).

A par do restaurante mais clássico abriu também a cafetaria, outro ponto histórico deste espaço que, durante muito tempo, foi paragem certa para todos os que que iam ao Teatro Sá da Bandeira. Nela é servido o café igual ao que sempre imperou nesta casa — que é brasileiro, 100% arábica. Ele chega à Invicta ainda verde, em grão, e é lá que é torrado. No capítulo das gulodices vai encontrar, por exemplo, uma vasta seleção de éclairs (a partir dos 2,50€), assim como o clássico Bolo 4 de Maio, uma receita do fundador do espaço, Adriano Soares Teles do Vale, que não gostava de açúcar. Por causa disso, decidiu criar uma mistura de cenoura, ameixa seca, damasco seco, nozes e amêndoas, custa 2,50€ e caso tenha curiosidade, chama-se 4 de maio porque foi a data em que o espaço foi inaugurado.

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