Iñaki Urdangarin é o mais ilustre recluso da prisão de Brieva, em Ávila. Também é o único homem detido neste estabelecimento prisional, que alberga cerca de 200 mulheres. O cunhado do rei Felipe VI vive sozinho na ala masculina desta prisão desde o dia 18 de junho, quando se apresentou para cumprir a pena de cinco anos e dez meses que lhe foi atribuída pelo Supremo Tribunal de Espanha. A sua única companhia é o guarda prisional encarregue de o vigiar, que não é sempre o mesmo. Os 86 funcionários que trabalham na Brieva assumem turnos rotativos.

Esta solidão está alegadamente a afetar o genro de Juan Carlos. De acordo com o seu advogado, Mario Pascual Vives, o duque de Palma de Maiorca encontra-se “exausto, não está bem e o seu estado de espírito está muito em baixo”. Vives afirma que Iñaki se tem refugiado nos seus hobbiesSegundo o El Elpañol, o marido da infanta Cristina divide o tempo em três atividades: o exercício físico, o cultivo de hortícolas e a religião.

Na sua cela, o duque tem uma passadeira de corrida, uma bicicleta estática e espaldares que usa todos os dias. De acordo com a publicação espanhola, nenhum destes aparelhos foi adquirido pelo próprio, mas sim fornecido por um organismo dependente do Ministério do Interior.

Iñaki tem ainda a possibilidade de frequentar todos os dias o polidesportivo da prisão para poder correr, mas também neste local está sozinho. Para não se cruzar com as reclusas que utilizam o espaço, o cunhado do rei só pode usar este espaço entre as 15h e as 16h30 enquanto as restantes detidas estão nas suas celas a descansar após o almoço.

Além do desporto, o genro de Juan Carlos tem um novo passatempo. O duque de Palma de Maiorca tem-se dedicado à horticultura, cultivando tomates, pimentos e outros vegetais em vasos no pátio.

Urdangarin têm-se ainda refugiado na religião. O marido da infanta Cristina tem recebido acompanhamento religioso do padre da prisão e das freiras que visitam o estabelecimento para ensinar ofícios às outras reclusas. Os serviços religiosos ocorrem na cela privada, uma vez que o duque não tem autorização para frequentar a capela da prisão.

Mas, segundo o advogado, o maior apoio tem sido a família. Desde que Iñaki chegou à Brieva que a família se tem revezado para o visitar todas as semanas. A mãe, os filhos maiores de idade, irmãos e um sobrinho já terão estado em Brieva.

A primeira visita foi a da mulher, a infanta Cristina, seis dias após o marido ter dado entrada. Segundo relata o El Español, a visita ocorreu com grande secretismo. A irmã do rei terá chegado ao local num carro com vidros fumados, passado todos os controlos de segurança em cinco minutos e não terá tido de esperar a vez de entrar como acontece com os familiares das outras detidas naquela prisão. O carro terá ido mesmo até ao portão que dá entrada para a ala masculina, algo inédito segundo os trabalhadores. A visita terá tido a duração de cerca 40 minutos, ao fim dos quais o carro que transportava a infanta terá abandonado o local sem parar em nenhum posto de controlo.

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