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Imagens da NASA mostram como a onda de calor mudou a cor da Europa

Este artigo tem mais de 2 anos

Onde antes havia vegetação no norte da Europa, agora há uma área seca e castanha, mostram imagens de satélite. NASA diz que a onda de calor foi "incomum". E explica a origem do fenómeno.

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NASA/NASA

NASA/NASA

Enquanto Portugal se contentava com um verão tímido e mais fresco do que é habitual, o norte da Europa era assolado por uma onda de calor capaz de bater recordes na Alemanha, derreter telhados no Reino Unido e deflagrar incêndios dantescos na Súecia. A culpa foi de um anticiclone no norte da Europa que arrastava ar quente vindo do Mediterrâneo para o norte do continente europeu e que dava a esses países temperaturas que estamos mais habituados a sentir por cá durante o verão. Agora, imagens recolhidas por um satélite mostram as consequências dessa onda calor: onde antes havia paisagens verdejantes, agora há campos secos que abrangem a Alemanha, a Dinamarca e a Suécia.

As imagens foram obtidas com recurso ao Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS), um sensor do satélite Suomi NPP concebido para captar fotografias e medidas radiométricas da terra, da atmosfera, da criosfera (regiões da superfície terrestre cobertas permanentemente por gelo e neve) e oceanos nas bandas visível e infravermelha do espetro eletromagnético. Uma delas foi captada a 19 de julho de 2017 e um ano mais tarde, a 24 de julho de 2018. Perante a persistente onda de calor que se abateu no norte da Europa, a NASA decidiu comparar as duas imagens. E descobriu que as temperaturas extremas registadas por lá assolaram grande parte da vegetação que habitava em regiões tipicamente verdejantes.

Apesar dos 369 dias que separam uma fotografia e a outra, a Agência Espacial Europeia garante que esta mudança nas vegetações do norte do continente europeu aconteceu em apenas um mês: “Enquanto a onda de calor deste ano continua, a missão Copernicus Sentinel-3 revela mais uma vez como a cor da nossa vegetação mudou em apenas um mês. Essas duas imagens abrangem a mesma área: parte da Irlanda, Reino Unido, Holanda, Bélgica, parte da Alemanha e parte da França, mas a diferença entre elas não poderia ser mais impressionante”.

A comparação a que se refere a Agência Espacial Europeia começa com uma imagem de 28 de junho de 2018, quando a onda de calor ainda não tinha chegado ao norte da Europa, e termina com outra captada a 25 de julho. Na primeira, a paisagem é predominantemente verde, mostrando vegetação saudável e normal para aquela região. Mas a segunda imagem, captada menos de um mês depois, já mostra uma mudança radical no solo da Europa: a vegetação cedeu à seca que o continente tem sofrido nas últimas semanas e os campos verdejantes reduziram-se a plantas secas.

Peter Gibson, investigador do Jet Propulsion Laboratory da NASA que estudou as variações de temperatura registadas durante as últimas cinco décadas, explicou que “esta onda de calor em particular foi impulsionada por um posicionamento e persistência incomuns da corrente de ar”: “Desde maio, a corrente de ar está estacionada muito abaixo do norte, particularmente na Europa, e num padrão ondulado com formato da letra grega ómega maiúscula. O padrão de vento de nível superior aprisionou uma área de alta pressão sobre o Reino Unido que tem estado sem vento, sem nuvens e muito quente”, descreve ele.

O cientista norte-americano avisou que “os dados mostraram uma tendência de aquecimento acentuada e persistente ao longo das décadas” e que “as ondas de calor extremas são mais comuns”: “Se o mundo continuar a aquecer, ficará claro que continuaremos a ver eventos como este a aumentar de frequência, gravidade e duração. Descobrimos que partes da Europa e da América do Norte poderiam ter ondas de calor com mais dez a quinze dias além do que já verificamos”, avisa ele.

Sobre se esse comportamento anormal da atmosfera é responsabilidade das alterações climáticas, Peter Gibson diz que essa explicação está em cima da mesa: “Os cientistas ainda estão a estudar os detalhes de como as alterações climáticas podem estar a influenciar a corrente de ar. Já sabemos, sim, que o clima aqueceu em cerca de 1 ° C, indicando alguma influência humana sobre este evento”, avançou ele.

Estas previsões chegam depois de o consórcio World Weather Attribution (WWA) afirmar que esta onda de calor foi duas vezes mais provável por causa das alterações climáticas do que por qualquer outro motivo. O grupo de cientistas declarou ainda que o aquecimento global não só está a aumentar o número de ondas de calor, como também está a inflamar a intensidade dessas ondas. E acrescentou que outras ondas de calor ainda piores do que a deste verão devem passar a ocorrer a cada dois anos a partir da década de 40.

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