As imagens da parte de trás da moto de Miguel Oliveira depois de passar a reta da meta e assegurar não só a segunda vitória em Grandes Prémios esta temporada mas também a liderança do Mundial mostravam bem o desgaste a que o piloto português (e os restantes) foi submetido ao longo das 19 voltas do circuito de Brno, com uma temperatura média no asfalto de 39º. E enquanto ia agradecendo aos muitos adeptos nas bancadas, lá ia pousando a mão na perna, quase que descomprimindo da corrida.

Na chegada à zona do pódio, aí, não houve cansaço que quebrasse a festa rija pelo triunfo. Entre saltos e abraços a elementos da KTM e pessoas próximas, o português mostrou todo o seu contentamento pelo feito histórico alcançado este domingo, que deixou Francesco Bagnaia, antigo líder do Mundial, algo agastado por ter perdido o comando do Moto 2. “A minha moto não foi a mais rápida mas fui forte nas travagens, foi o que fez a diferença. Acabar em terceiro e perder a liderança não era o nosso objetivo e por isso vamos ter de nos focar para melhorar nas próximas corridas”, atirou o transalpino da Kalex.

Apesar de ter falhado por pouco o primeiro triunfo no Moto 2, o jovem Luca Marini, de 20 anos, também ele da Kalex, destacou a parte mais tática da corrida nas declarações antes da subida ao pódio. “Tentei sempre fazer a primeira e a última curva em quarta para poupar o pneu, enquanto outros pilotos como o Miguel iam fazendo em terceira. Fui sempre forte nas travagens para conseguir ultrapassar e estou satisfeito por estar nesta posição, até por ter partilhado o pódio com o Francesco”, disse.

Chegava a hora de Miguel Oliveira ter a palavra nesta espécie de mini flash interview após o final da prova, num misto de sentimento de dever cumprido com algum humor à mistura na análise à prova e aos últimos minutos. “Foi muito complicado. Quando estava na liderança, andei sempre a lutar para me manter na frente, a certa altura achei que já não conseguiria vencer mas no final percebi que iria ser tudo na última volta e nas últimas curvas. Estava entre uma grande sandwich italiana, ou neste caso uma pizza, à espera de ataques. Fiquei muito feliz com o resultado”, destacou.

Os três pilotos fizeram então o caminho para o pódio, com o português a comentar em italiano com os dois transalpinos as principais incidências da corrida. Bagnaia, inicialmente, não conseguia disfarçar a frustração pelo resultado que lhe retirou a liderança do Mundial, mas como quase sempre acabou por imperar o desportivismo na entrega dos troféus com o piloto da KTM à frente da dupla da Kalex. Bohumil Simek, o governador da Morávia do Sul, foi o escolhido para dar a Miguel Oliveira o troféu pela vitória em Brno, antes do hino português e do habitual banho de champanhe que desta vez saiu do pódio e acabou por chegar a todos aqueles que estavam mais próximos na pista a assistir ao momento solene.

“Hoje acabou em português! Batalha dura e superada. Obrigado a todos”, escreveu o piloto no Twitter após o triunfo, com a bandeira nacional no final da mensagem. Miguel Oliveira, que já tem presença confirmada no Moto GP a partir da próxima temporada, é cada vez mais um fenómeno a ter em conta no mundo desportivo e continua a mostrar capacidade para realizar aquele que surgia como o grande objetivo (e sonho) da temporada: ser campeão mundial em Moto 2.