Michael Phelps, considerado por muitos o melhor nadador de sempre e que tem (ou terá, por algumas décadas) o recorde de medalhas de ouro conseguidas em Jogos Olímpicos (23), tinha algumas especialidades preferidas e, a partir daí, outros tantos adversários prediletos que gostava de defrontar. Exemplo? As provas de 100 e 200 metros mariposa, onde se cruzava com frequência com o húngaro Laszlo Cseh, que tem o melhor registo dos Campeonatos Europeus na primeira e o recorde europeu na segunda. Alguns anos depois, este duelo entre americanos e magiares parece estar mesmo para durar.

Olhando para os recentes Campeonatos dos Estados Unidos, que servem também de qualificação para os Jogos Pan-Americanos, Caeleb Dressel, que até começou a dar nas vistas pelos piores motivos, parece ter ganho em definitivo o espaço para ser apontado como o sucessor de Phelps: depois da brilhante prestação nos Mundiais de 2017, onde igualou o recorde de sete medalhas de ouro, o jovem americano da Universidade da Flórida teve um anormal sexto lugar nos 100 metros livre e perdeu os 50 metros mariposa, antes de arrancar uma fantástica prova nos 100 metros mariposa com o tempo mais rápido do ano.

Hoje, a sétima medalha; amanhã, o teste de álgebra. O maravilhoso mundo do novo Phelps, Caeleb Dressel

Agora, na final dos 200 metros mariposa dos Campeonatos da Europa em Glasgow, nasceu uma outra estrela e também ela húngara: o jovem Kristof Milak que, aos 18 anos, teve um prova inesquecível na corrida decisiva deste domingo, quebrando apenas na parte final quando muitos no Tollcross International Swimming Centre já pensavam ver cair o recorde mundial de Phelps na distância. Faltou, como o próprio assumiria no final ainda a restabelecer o fôlego, apenas dez metros.

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“Só queria marcar o meu próprio ritmo, sem preocupar-me com nada nem ninguém. Morri nos primeiros 100 metros e não fiquei com nada para a parte final, acabei por nadar de uma forma estúpida”, comentou o húngaro no final de uma prova onde chegou a ter um segundo abaixo da melhor marca de sempre da Bala de Baltimore mas que terminou quase sem fôlego, algo que se notou sobretudo nas braçadas dos últimos dez metros, citado pelo jornal As. “Aqueles 100 metros foram incríveis”, destacou o compatriota e medalha de prata, Tamas Kenderesi. Federico Burdisso ficou com o bronze.

Caeleb Dressel e Kristof Milak na final dos 100 metros mariposa nos Mundiais do ano passado (FRANCOIS-XAVIER MARIT/AFP/Getty Images)

E este não foi um feito isolado para Milak: no ano passado, o húngaro ficou apenas atrás de Caeleb Dressel na final dos 100 metros mariposa do Campeonato do Mundo de Seniores, conseguindo quatro medalhas de ouro e uma de bronze nos Mundiais de Juniores, que se realizaram pouco depois em Indianapolis (ganhou as provas de 100 e 200 metros mariposa, bem como as estafetas de 4×100 e 4×200 metros livres, ficando em terceiros nos 50 metros mariposa). Além disso, o jovem nascido em Budapeste já soma também cinco ouros e três pratas em Europeus de Juniores, entre 2016 e 2018.

Olhando para os restantes resultados do terceiro dia dos Europeus de natação, a outra principal nota teve a ver com a surpresa nos 1.500 metros livres, onde o italiano Gregorio Paltrinieri falhou o favoritismo teórico e acabou por quedar-se com o bronze (14.42,85), atrás do alemão Florian Wellbrock (14.36,15) e do ucraniano Mykhailo Romanchuk (14.36,88). O britânico Adam Peaty, que estabeleceu um novo recorde mundial nos 100 metros (57,10), e o russo Kliment Kolesnikov, que superou a melhor marca mundial nos 50 metros costas (24,00), estão a ser os principais destaques da competição no quadro masculino, ao passo que Sarah Sjöstrom (vitória nos 50 metros livres com novo recorde dos Campeonatos, 23,74, e 100 metros mariposa) e Yulia Yefimova (triunfo nos 100 metros bruços com melhor marca dos Campeonatos, 1.05,53) brilharam no feminino.

Este foi também um dia particularmente conseguido para os atletas nacionais, que conseguiram atingir as primeiras duas finais nestes Europeus: Alexis Santos nos 200 metros estilos e Ana Catarina Monteiro nos 200 metros mariposa. As corridas de atribuição de medalhas irão realizar-se já esta segunda-feira.

Alexis Santos e Ana Catarina Monteiro nas finais de segunda-feira dos Europeus de natação