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A cidade de Veneza, em Itália, é um dos principais destinos turísticos do mundo inteiro e recebe 25 milhões de turistas todos os anos. Conhecida pelos bonitos canais, onde é possível ver a cidade de uma perspetiva diferente a partir das características gôndolas, Veneza recebe diariamente e desde há décadas enchentes de turistas. E se, por motivos óbvios, a chegada de milhares de turistas todos os dias tem muitos fatores positivos, os negativos também não são poucos. E as medidas de gestão e controlo dos visitantes estão a tornar-se cada vez mais extremas.

A cidade italiana tem um longo rol de proibições e multas: pode pagar 100 euros se se deitar num banco, o dobro por comer em zonas onde é proibido fazer refeições e 450 euros por mergulhar nos canais e rios abertos ao público. Mas a lista pode tornar-se mais extensa e punitiva. Luigi Brugnaro, o independente de centro-direita que é atualmente o presidente da Câmara de Veneza, apresentou ao parlamento italiano uma proposta de criação de uma “cela de segurança”: a ideia é deter durante algumas horas os turistas que perturbem o normal funcionamento da cidade para que, segundo as palavras de Brugnaro, “acalmem os ânimos”. De acordo com o El País, a proposta de lei explicava que esta “não é uma medida de detenção, mas sim de prevenção”.

Mas, antes da “cela de segurança” se tornar uma realidade, várias medidas de segurança entraram em vigor já neste mês de agosto. Ainda que as novas regras só sejam aplicáveis nos fins de semana de maior afluência, a polícia local está autorizada a “impedir temporariamente o trânsito aos não residentes”, “instituir sentidos de trânsito únicos”, “proibir o acesso a determinadas zonas” – tudo sob pena de uma multa que pode ir de 25 a 500 euros.

Além das novas restrições, a Câmara de Veneza instalou em abril torniquetes à entrada da cidade para regular o fluxo de turistas. Apelidados simplesmente de “passagens” pela administração local, os torniquetes ainda não foram utilizados e permanecem agora como uma simples declaração de intenções.

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48 horas de expulsão por urinar na rua ou deitar-se num banco

O passo seguinte é a aprovação do Daspo urbano. O Daspo, acrónimo para Divieto di Accedere alle manifestazioni Sportive — ou proibição do acesso a eventos desportivos, em português — foi criado para prevenir a violência associada ao desporto. Agora, e depois de um decreto do ex-ministro do Interior italiano Marco Minniti, o programa pode ser aplicado à gestão das cidades e permite expulsar durante 48 horas qualquer pessoa que cometa um atentado contra o normal funcionamento da cidade e incomode visitantes ou cidadãos locais. O texto definitivo, que vai ser votado em setembro, considera passíveis de expulsão os atos de urinar na rua, consumir bebidas ou alimentos em zonas onde é proibido comer, consumir bebidas alcoólicas fora dos perímetros autorizados ou deitar-se nos bancos.

E se a cada vez mais reduzida população local — estima-se que atualmente só vivam em Veneza 50 mil pessoas — já concordava com maiores restrições aos turistas, a opinião local tornou-se ainda mais extremada este fim de semana. Três residentes de Veneza morreram em dois acidentes de barco diferentes nos canais da cidade. Renzo Rossi, de 59 anos, e Natalino Gavangnin, de 63, eram vizinhos e amigos de longa data e estavam a pescar quando o pequeno barco onde circulavam foi atingido por um barco a motor. A embarcação, com 150 cavalos de potência, transportava quatro jovens que escaparam ao acidente com ferimentos ligeiros. Menos de 24 horas depois, Giovanni Rampazzo morreu afogado quando o barco onde estava virou devido à ondulação provocada por uma outra embarcação.