Se os veículos eléctricos são o futuro, são os veículos eléctricos alimentados por células de combustível, ou fuel cell, que revelam o maior potencial de termos de redução das emissões poluentes, isto se tivermos em conta todo o processo, inclusivamente a fabricação da bateria ou da fuel cell.

Os automóveis a bateria oferecem, do lado das vantagens, zero emissões enquanto se deslocam, o que é excelente, especialmente quando circulam nos centros das grandes cidades, onde a qualidade do ar é muitas vezes lamentável, para não dizer perigosa. Mas acarretam também grandes problemas, a começar pela fabricação dos próprios acumuladores de energia, e da posterior reciclagem, bem como o seu abastecimento a partir da rede eléctrica. Sim, porque ligar uns milhares – e em breve milhões – de carros eléctricos à rede obriga ou a investir em novas centrais, para produzir mais energia e emitir mais poluentes no processo, ou então dizer aos condutores “tente mais tarde”.

O drama pode ser atenuado se todas as casas se tornassem microgeradoras, produzindo a sua própria electricidade e acumulando-a em baterias próprias, de onde sairia a electricidade para alimentar a casa e os carros. Mas não só isto não é exequível para a maior parte das pessoas, como implica um ainda maior consumo de baterias, com todas emissões associadas ao respectivo fabrico e reciclagem.

O hidrogénio, por outro lado, é uma solução muito viável e barata. Primeiro, porque existe em todo o lado, até no ar que respiramos. Depois, porque pode ser produzido a partir de tudo e mais alguma coisa, desde lixo a resíduos florestais, passando pela forma mais simples, a partir da electrólise da água do mar. É preciso gastar energia no processo, mas esta pode ser gerada no local (fotovoltaica ou por aerogerador), o que reduz os custos e o impacto ambiental.

Depois basta alimentar a célula de combustível com o hidrogénio, para esta gerar energia, que vai alimentar o motor eléctrico do veículo. É claro que é necessário uma pequena bateria a bordo, mas com ênfase no “pequena”. Se está a questionar-se sobre as contrariedades desta solução, saiba que também as há, mas são de menor monta quando comparadas com outras soluções.

Mas agora que a Toyota e a Honda, grupo a que juntou recentemente a Hyundai, já conseguem produzir as fuel cells em quantidade e com preços acessíveis, apenas faltando vontade política para os países – a começar por Portugal – criarem a sua rede de produção e distribuição de hidrogénio em larga escala, eis que surgem notícias que beliscam a imagem desta tecnologia nos mercados onde ela já é uma realidade.

A situação tem lugar na Califórnia, onde Toyota Mirai e o Honda Clarity figuram entre os veículos mais amigos do ambiente. Sucede que nos últimos dias, os condutores têm vindo a ser confrontados com a dificuldade em abastecer. Nos postos de combustível onde é possível encher o tanque de hidrogénio, em vez do gás para atestar, há cartazes a informar que está esgotado. Até a própria Toyota já veio a público aconselhar os seus clientes a atestar sempre que encontrem uma bomba com hidrogénio, uma vez que se trata de uma raridade nos dias que correm, especialmente na zona de Los Angeles, onde há maior concentração deste tipo de veículos.

“Estamos activamente a tentar ultrapassar esta situação, provocada por problemas em diversas fábricas de hidrogénio líquido da região”, assegurou Arthur George, o porta-voz da Air Products, empresa que figura no topo dos fornecedores de hidrogénio do Estado americano.

Contudo, a esperança não está perdida para os automobilistas dos Mirai e Clarity, se bem que possam ter de recorrer a táxis ou carros de cortesia, como os cedidos pela Toyota aos seus clientes, nos próximos dias. Isto porque, em comunicado, a Air Products adianta que espera ter o problema resolvido “ainda durante a primeira metade de Agosto”.