Zimbabué

Forças de segurança aumentam repressão à oposição no Zimbabué

A Human Rights Watch denunciou que as forças de segurança intensificaram a repressão aos apoiantes da oposição, após os protestos contra a alegada manipulação nos resultados das eleições.

AARON UFUMELI/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A Human Rights Watch (HRW) denunciou esta terça-feira que as forças de segurança do Zimbabué intensificaram a repressão aos apoiantes da oposição, após os protestos da semana passada contra a alegada manipulação nos resultados das eleições de 30 de julho. Num comunicado divulgado esta terça-feira, a organização de direitos humanos afirmou que “polícias, soldados e outros homens armados não identificados atacaram e perseguiram dezenas de pessoas em Harare nos últimos dias, enquanto procuravam líderes da oposição.

O diretor para a África Austral da HRW, Dewa Mavhinga, disse esta terça-feira que estes incidentes levaram a cair “a fachada do respeito pelos direitos humanos e pela democracia que foi construída pelo Presidente” do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa. “O Governo precisa agir rapidamente para restaurar a sua integridade e o seu compromisso com o Estado de direito”, acrescentou o diretor da HRW.

De acordo com a HRW, grupos com quatro a dez soldados percorrem alguns dos subúrbios de Harare, espancando pessoas em bares e restaurantes, enquanto os acusavam de terem abandonado Mnangagwa, já que o principal candidato da oposição, Nelson Chamisa, teve a maioria dos votos na capital. Também na noite de domingo, seis homens mascarados invadiram a casa de Happymore Chidziva, presidente da ala jovem do Chamisa, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC). De acordo com depoimentos recolhidos pela HRW, um dos homens apontou uma arma para a líder da ala jovem do MDC, enquanto outro a esbofeteava e chutava. Naquela mesma noite, outro grupo de homens armados entrou na casa da deputada do MDC Mirriam Mushayi, mas os atacantes não a encontraram.

O porta-voz do Exército, Overson Mugwisi, negou envolvimento militar nesses atos. Essa mesma tese foi defendida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sibusiso Moyo, que, durante reunião com embaixadores e organizações internacionais, descreveu a informação como “falsa” e disse que a intenção é “desinformar a população”. Enquanto isso, a polícia do Zimbabué está a procurar nove líderes do MDC, incluindo o ex-ministro das Finanças Tendai Biti, para os interrogar por alegado incitamento dos seus seguidores a tomar parte em manifestações ilegais. A polícia referiu-se nomeadamente aos protestos violentos da última quarta-feira.

Num primeiro momento, a polícia tentou controlar os manifestantes, mas depois pediu ajuda ao Exército, que interveio usando munição real e deixando um total de seis mortos. Os resultados das eleições, anunciados na última quinta-feira, deram uma vitória no primeiro turno a Mnangagwa, que ocupa a Presidência desde a saída de Robert Mugabe em novembro de 2017, embora Chamisa e o MDC se recusem a aceitar este resultado, alegando que teria ocorrido fraude.

Os 27 opositores detidos na semana passada, na sequência da violência pós-eleitoral após o anúncio da vitória do atual Presidente, foram libertados esta terça-feira sob caução. Os opositores foram detidos na quinta-feira durante uma busca da polícia nas instalações do MDC.

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