NATO

Rússia alerta para “horrível conflito” caso a Geórgia adira à NATO

Dmitri Medvedev considerou que os planos da NATO sobre uma eventual proposta de integração da Geórgia na organização são "absolutamente irresponsáveis" e "uma ameaça à paz".

JULIEN WARNAND/EPA

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  • Agência Lusa
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O primeiro-ministro da Rússia disse esta terça-feira que qualquer tentativa da NATO em integrar a ex-república soviética da Geórgia poderá desencadear um novo e “horrível” conflito, num aviso ao Ocidente e que assinala os 10 anos da guerra russo-georgiana.

Em entrevista ao diário Kommersant e divulgada pela televisão estatal, Dmitri Medvedev considerou que os planos da NATO sobre uma eventual proposta de integração da Geórgia na organização são “absolutamente irresponsáveis” e “uma ameaça à paz”.

Medvedev ocupava a Presidência da Rússia durante a guerra de agosto de 2008, que eclodiu quando tropas georgianas tentaram sem sucesso retomar o controlo da província separatista da Ossétia do Sul, com a Rússia a enviar tropas que derrotaram as forças georgianas em cinco dias.

O exército russo estava preparado para avançar em direção à capital da Geórgia, mas Medvedev impediu a ofensiva ao aceitar uma trégua mediada pela União Europeia. Após a guerra, a Geórgia perdeu o controlo total da Ossétia do Sul, e ainda da Abkházia, outra região separatista.

A Rússia reforçou a presença militar nas duas regiões e reconheceu-as como Estados independentes, mas apenas alguns países optaram por acompanhar Moscovo.

As relações entre Moscovo e Tbilissi registaram progressos, mas a questão das regiões secessionistas permanece, impedindo a total normalização das relações. Medvedev sublinhou que esta tentativa de alargamento da NATO à região do Cáucaso teria consequências catastróficas. “Existe um conflito territorial por resolver… e esse país seria integrado numa aliança militar?”, interrogou-se. “Compreendem as possíveis implicações? Poderia originar um conflito horrível”, frisou.

Medvedev defendeu o reconhecimento da independência da Abkházia e Ossétia do Sul e a presença de bases militares russas, ao frisar que qualquer tentativa de alterar a presente situação conduziria a “consequências extremamente graves”, e definiu a expansão da NATO para leste como uma séria ameaça à Rússia.

Pelo contrário, a União Europeia reiterou esta terça-feira o seu “apoio firme à soberania e integridade territorial da Geórgia nas suas fronteiras internacionalmente reconhecidas” e lamentou a presença militar russa nas duas regiões separatistas.

Numa demonstração de apoio às pretensões de Tbilissi, os chefes da diplomacia da Letónia, Lituânia e Polónia, e um membro do Governo ucraniano visitaram a capital georgiana e exortaram a Rússia à retirada das suas tropas da Ossétia do Sul e Abkházia. “Nos nossos dias, nenhum país pode mudar as fronteiras de outro país pela força”, considerou a propósito o chefe da diplomacia polaca, Jacek Czaputowicz.

No decurso deste encontro, o Presidente da Geórgia, Guiorgui Margvelachvili, também condenou a “ocupação” do seu território pela Rússia, e que contribuiu para a degradação das relações leste-oeste. “Trata-se de uma guerra contra a Geórgia, de uma agressão, de uma ocupação e de uma violação flagrante do direito internacional”, assinalou.

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