O primeiro debate entre candidatos à presidência do Sporting que acontecerá esta noite “a meio gás” acabou por gerar uma série de dúvidas paralelas em torno das datas em causa em todo este processo. Tendo em conta que as eleições são a 8 de setembro, qual seria a data final para entrega de listas? E, mediante essa resposta, quando era expectável haver um comunicado final com todos os candidatos e respetivas listas a sufrágio? Mais: havendo 48 horas para fazer retificações, seria possível que essa mesma decisão definitiva sem a qual algumas listas se recusam a participar em debates passasse para o início da próxima semana? Esta terça-feira, Jaime Marta Soares deu uma resposta; 24 horas depois, sem se perceber porquê, decidiu alterar a mesma.

Perante a questão “Estando nos estatutos que a data limite são 30 dias antes das eleições, o prazo de entrega de candidaturas acaba na quarta ou na quinta-feira?”, o presidente da Mesa da Assembleia Geral explicou o seguinte ao final da tarde desta terça-feira: “Poderia ter-se essa interpretação que fosse no dia 8 e nada o pode impedir porque se fosse a 9 depois caía em cima do fim de semana e os serviços não estariam disponíveis para aquilo que possa vir a acontecer seja retificado. Depois, não teríamos quem visse isso. Por isso, antecipámos para o dia 8. Permite-nos o tempo suficiente para nós, com o tempo útil e necessário para resolvermos o que possa porventura ser alterado”. Tudo esclarecido. Ou nem por isso.

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“Esta candidatura [n.d.r. a de Rui Jorge Rego] é o final da maratona do dia de hoje, do dia 8. Como não apareceu mais nenhuma candidatura não sei o que é que entenderam ou pensaram porque o encerramento será amanhã, da receção das candidaturas. Por isso, poderá surgir mais alguma mas amanhã será o amanhã, hoje é hoje com esta grande maratona com três candidaturas que não é muito normal mesmo numa instituição tão grande como o Sporting. Acredito que seja a candidatura final mas amanhã ainda é dia, volto a repetir. É aí que finaliza porque a data conta de dia 8 para trás. Mas não tenho sido contactado, acredito que seja a última mas estarei atento para, caso exista uma comunicação, possa receber até às quatro da tarde”, disse ao final desta quarta-feira, alterando a informação que o próprio tinha veiculado 24 horas antes.

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De acordo com informações recolhidas pelo Observador, a hipótese de haver uma nona candidatura esteve de pé até à hora de almoço de hoje, altura em que Carlos Vieira decidiu sair da corrida eleitoral. No entanto, a ideia inicial da lista “Sporting Primeiro”, que conta com muitos elementos dissidentes de Bruno de Carvalho que pertenciam ao Conselho Diretivo que foi destituído em Assembleia Geral, era mesmo essa: esperar até quinta-feira, a data que marcava esses 30 dias até ao escrutínio, por uma decisão favorável da providência cautelar que tinha sido interposta. Na base estava, sobretudo, uma questão prática – como o recurso de uma suspensão de sócio no Sporting só pode ser feito em Assembleia Geral Extraordinária, como sem isso era como uma decisão que não tinha transitado em julgado e como a reunião magna só poderia ser realizada depois das eleições, a ideia passava por “congelar” essa sanção até poder ser interposto “recurso”. Sem novidades, caiu.

Mas este foi apenas o culminar de mais um longo dia onde, como se tornou da praxe, Jaime Marta Soares falou à comunicação social no hall VIP outras tantas vezes. E de manhã, a seguir à hora de almoço ou ao final da tarde, os assuntos foram variados, do número recorde de candidaturas aos cenários pós-eleições, passando por Rafael Leão e o arranque do Campeonato.

Tema 1: o número de candidaturas. “Estou a tornar-me repetitivo porque digo sempre o mesmo mas considero que é um sinal de vitalidade. No caso de quem já foi candidato e agora se apresenta outra vez [n.d.r. falando neste caso de Dias Ferreira], também está consciente de como são as coisas. O Sporting é uma grande nau, complexa, que passou por águas tormentosas mas isso já faz parte do passado, já se restabeleceu e a bonança começa a tomar conta das coisas. Se eu dissesse que não eram importantes tantas candidaturas, estaria a negar os valores da democracia. Pode é haver dispersão de votos”.

Tema 2: o voto por correspondência. “Tenho a ideia de que existirão muitos votos por correspondência, o que fará também com que exista um maior tempo de contagem no dia das eleições. E considero isso porque sinto uma mobilização ainda maior de todas as pessoas, cada uma fazendo a sua opção. Não se deve nunca deixar que outros façam as escolhas por nós. Espero que quem vença tenha a almofada suficiente e uma estabilidade que sustente essa expressão. A contagem dos votos por correspondência é um processo moroso, o abrir os envelopes, a separação das listas… Já temos voto eletrónico em Alvalade, estava prometido haver isso agora também mas esperemos que nas próximas o Sporting já tenha essa modernização”.

Tema 3: a saída de Rafael Leão para o Lille. “Fico triste e sei que não foi por opção dele, porque se fosse por ele tinha ficado na casa onde aprendeu a jogar à bola. Outros interesses se levantaram e não estão a fazer o melhor para ele em termos de aprendizagem que ainda precisa. Sei que Sousa Cintra fez tudo, passou horas e horas em contactos com o empresário, com o pai e com o jogador, e que se fosse pelo jogador teria ficado. O Sporting estava disponível para valorar essa permanência dentro do que se poderia oferecer, fazer mais era impossível. Agora as coisas seguirão os seus trâmites legais normais”.

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Tema 4: o arranque do Campeonato. “Atrás do FC Porto e do Benfica? O Sporting nunca está atrás de ninguém, sempre foi um clube de vanguarda que anda na frente. Mesmo com as dificuldades que são conhecidas, o Sporting vai partir em pé de igualdade para esta maratona e tem o objetivo de ganhar, que ninguém duvide disso. O Sporting está forte e recomenda-se”.

Tema 5: a candidatura de Carlos Vieira. “Só sei que teremos mais duas entregas, de Tavares Pereira e Jorge Rego. Não tenho mais nenhuma marcação e a partir de hoje a entrega das candidaturas estará encerrada (de manhã) Não penso que tenha havido nenhuma desistência, porque nunca me chegou nada às mãos de que pretendia formalizar a entrega de listas. Vivemos um período democrático, onde todos têm direito à opinião. Umas vezes são ditas verdades, outras são fait divers. Temos vindo a cumprir sempre o que diz a lei e o que dizem os estatutos (à tarde, após o comunicado do antigo vice)”.

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Tema 6: a confusão com um sócio na véspera. “Queria apenas dizer que fiquei surpreendido quando li hoje num jornal desportivo que um sócio me tinha tentado agredir, porque se o tentou fazer não vi nada. Não houve nenhuma tentativa de agressão, não é alguém daquela idade que iria agredir o presidente da Mesa da Assembleia Geral”.

Duas horas depois, a lista de Bruno de Carvalho ficou entregue (e pelo meio, um sócio foi retirado do hall VIP)

Tema 7: o atraso na entrega da lista de Rui Jorge Rego. “Queria dizer, para que fique bem claro, que esse atraso não foi por causa da Mesa, simplesmente vieram ter connosco a dizer que ainda não estava tudo reunido e que não tinham ainda condições por qualquer motivo, pelo que passou para as 17h30”.

Tema 8: a possibilidade de haver uma dispersão de votos. “Pode haver dispersão de votos e o vencedor pode ter poucos, só isso é que pode gerar preocupação. É importante que a lista ganhadora tenha forte votação, de modo a ter uma almofada sustentada. Os que ganham precisam de ter reforço, mas também é preciso que os que perdem convirjam em torno da nova Direção. Espero que não tomem atitudes prejudiciais ao Sporting. Tem havido muita maturidade neste processo, com os candidatos a revelarem grande confiança e sentido de responsabilidade. É isso que sinto e inspira-me confiança. Acredito que o Sporting vai sair destas eleições ainda mais forte. Acredito que vamos ter um Sporting novo, capaz de enfrentar as dificuldades”.