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Comércio Externo

Compra de combustíveis leva a subida de 18,1% nas importações

As exportações aceleraram mas a compra de combustíveis levou a que as importações crescessem mais de o dobro. Défice comercial agravou-se em quase 40% face a junho do ano passado.

Getty Images

Autor
  • Nuno André Martins

O défice comercial agravou-se em 641 milhões de euros em junho deste ano face ao mesmo mês do ano passado, atingindo os 1.682 milhões de euros, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). O agravamento de 38% na balança comercial de bens (não inclui serviços) deve-se em boa parte ao aumento das importações de combustíveis, que levou a um aumento das importações de 0,6% em maio para 18,1% em junho.

Na primeira metade do ano, tanto as exportações com as importações de bens estão a demonstrar um forte abrandamento face ao que estava a acontecer no mesmo período de 2017. Nos primeiros seis meses deste ano, as exportações cresceram 6,6%, quando há um ano cresciam 12,2%, quase o dobro.

Apesar de ser ainda assim um crescimento expressivo, as exportações não chegaram para compensar o crescimento das importações, que cresceram 8,8% na primeira metade do ano. Mas também as importações estão a cair, já que há um ano estavam a crescer 14,3%.

Estas diferenças levaram ao crescimento do défice comercial — não incluindo serviços, que são uma parte importante desta equação — em 641 milhões de euros. Dos 1.682 milhões de euros de défice registado em junho, mais de um terço resulta da compra de combustíveis ao estrangeiro. Retirando os combustíveis destas contas, o défice comercial seria de 999 milhões de euros, apenas mais 231 milhões de euros do que em junho do ano passado.

“O significativo aumento verificado nas importações deveu-se principalmente aos Combustíveis e lubrificantes com origem em países Extra-UE [União Europeia]. Excluindo os Combustíveis e lubrificantes, as exportações aumentaram 6,8% e as importações cresceram 10,3%, mais 4,4% e mais 2,5%, respetivamente, em maio de 2018”, explica o INE sobre os dados do mês de junho.

Exportações para Angola continuam a cair

As boas notícias para a economia portuguesa é que as exportações para os três principais mercados estão a acelerar significativamente. Face a junho do ano passado, as vendas de bens para Espanha, que é o principal mercado para as exportações portuguesas, cresceram 7,6%, e para França cresceram 7,9%.

O mercado alemão e o italiano foram os que registaram maior crescimento. As exportações para a Alemanha aumentaram 15,9% e para Itália 16,3%, terceiro e sétimo principais mercados em 2017, respetivamente.

Em sentido contrário continuam países como Angola e Brasil, dois países da lusofonia, que têm vindo a encurtar as compras que fazem às empresas portuguesas. As vendas para Angola caíram 8,1% em junho, continuando os sucessivos decréscimos que se têm vindo a verificar ao longo de 2018. Em termos acumulados, as exportações para Angola já caíram 15,5% só na primeira metade do ano, em comparação com o que se passava há um ano. No caso do Brasil, as exportações estavam a cair 31,1%, sendo cada vez menos expressivas no bolo global.

Importações da Rússia mais que duplicam

Do lado das importações há também mudanças importantes. A maior variação, em termos relativos, aconteceu nos produtos oriundos da Rússia, que tiveram um crescimento de 110,5% em junho, um aumento que pode ser explicado pelo crescimento expressivo da importação de combustíveis durante este mês, já que Portugal importa gasóleo e petróleo da Federação Russa.

No entanto, a Rússia é apenas o nono país de onde Portugal importa mais produtos. Entre os principais parceiros comerciais, destaque para um crescimento de 19,5% das importações oriundas da Alemanha e de 14,9% de França, segundo e terceiro maiores fornecedores da economia portuguesa. Ainda assim, a Espanha continua a ser de longe o país de onde Portugal mais importa.

Destaque também para um aumento expressivo das importações oriundas da China, que cresceram 15,9% em junho, e para o Reino Unido, cujo crescimento diminuto faz deste país apenas o oitavo país que mais vende bens para Portugal, atrás de países como a Holanda, a Bélgica e a China.

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