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MotoGP

Da liderança na primeira curva ao segundo lugar na última curva: o GP de Miguel Oliveira na Áustria

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Depois da chuva e de uma queda aparatosa nos treinos, Miguel Oliveira fez a melhor qualificação do ano, passou para a frente na primeira curva e só perdeu mesmo na última curva do GP da Áustria.

Miguel Oliveira não conseguiu ganhar na "casa" da KTM mas continua com aspirações intactas no Mundial de Moto2

AFP/Getty Images

A ascensão de Miguel Oliveira à liderança do Mundial, depois da vitória no Grande Prémio da Rep. Checa que correu um pouco por todo o lado sobretudo pela última curva de mestre que assegurou o primeiro lugar na prova, trouxe mais reconhecimento, mais elogios, mais atenção e mais… protagonismo: por estar na frente do Moto 2, foi convidado para a conferência de imprensa de lançamento do Grande Prémio da Áustria ao lado de nomes como Marc Márquez, Valentino Rossi (uma das suas principais referências), Jorge Lorenzo ou Andrea Dovizioso. Até aí, o português sentiu-se como peixe na água.

Primeiro, arrebatou a atenção dos presentes quando desenhou o seu traçado de sonho, uma oval para a esquerda que se desenha em menos de dez segundos mas onde quis ainda acrescentar umas árvores e uma vaca por gostar desse tipo de ambientes mais ligados à natureza; depois, fez rir toda a gente quando explicou que, apesar de estar a tirar o curso de medicina dentária, há cadeiras muito práticas que obrigam a ir às aulas, o que lhe vai atrasar a conclusão. “Espero que daqui a 20 anos, quando terminar a carreira, possa ser dentista. E espero não ter trabalho com os meus adversários, que quero arrancar nenhum dente”, brincou. Mais a sério, uma certeza sobre o passo que dará no próximo ano – “Agora tenho de me concentrar em Moto2. Vai ser um sonho tornado realidade. E também quero ser o melhor em MotoGP, mas tenho de trabalhar muito para isso”.

Miguel Oliveira, à esquerda, e o seu traçado oval. Mais parecido só mesmo o tetracampeão Marc Márquez (JURE MAKOVEC/AFP/Getty Images)

Por cada degrau que o piloto da KTM sobe, fica sempre uma sensação de naturalidade pelo que foi conquistado. E foi assim que Miguel Oliveira chegou à 11.ª de 19 provas do Moto2 na frente do Mundial, com mais dois pontos do que Francesco Bagnaia, da Kalex. Mas o traçado do Red Bull Ring, em Spielberg, prometia tudo menos facilidades, como se percebeu desde sexta-feira.

Apostando na mesma tática que lhe permitiu ascender ao topo da classificação, o português preparou a moto para fazer uma qualificação mais rápida mas acabou por não passar do 16.º melhor tempo nas primeiras saídas pelas condições climatérias. No sábado, a manhã começou ainda mais acidentada: depois de Iker Lecuona falhar uma travagem, Oliveira sofreu uma aparatosa queda. Não deixou marcas, o espanhol quis passar pela box da KTM para pedir desculpa ao português pelo sucedido e o melhor estava para vir: segundo melhor tempo no dia apenas atrás de Bagnaia, naquela que foi a melhor qualificação do ano.

Os dois primeiros do Mundial de Moto2 estavam nos dois primeiros lugares da grelha de partida, fazendo antever uma corrida com tanta ou mais emoção do que se tinha assistido em Brno, no último fim de semana (o francês Fabio Quartararo fechou a primeira linha na saída). E que começou logo na partida: Bagnaia saiu bem da grelha, Oliveira na aceleração conseguiu ganhar a frente da corrida e uma série de pequenos toques (que prejudicou sobreutudo Quartararo) acabaram até por dar alguma vantagem ao português. Aliás, no final da primeira volta, o piloto da KTM já tinha 536 milésimos de vantagem sobre Jorge Navarro e Pecco Bagnaia. Tão ou mais importante, havia já um fosso entre os três primeiros e Alex Márquez.

Enquanto a maioria tentava recuperar o ritmo depois de uma saída acidentada (mas sem abandonos), Miguel Oliveira ia fazendo as melhores voltas, mantendo o avanço na frente enquanto Navarro e Bagnaia lutavam pela segunda posição. Quando o italiano conseguiu finalmente passar o espanhol, a diferença já estava próxima de um segundo. Com outro dado curioso: o português fez três voltas quase iguais entre a quinta e a sétima passagem, sempre na casa do 1.30,500. O rival da Kalex aproveitava algumas zonas do traçado para encurtar de forma ligeira a distância, mas sem colocar em causa a liderança pelo menos nessa fase: a 15 voltas do final, a diferença era ainda de meio segundo entre os dois primeiros da prova e do Mundial.

A distância entre Oliveira e Bagnaia foi-se mantendo nas voltas seguintes, o que permitiu também garantir de que os dois primeiros lugares iriam mesmo ser decididos entre ambos (a margem para o terceiro posicionado, Mattia Pasini, era já de quatro segundos, algo quase irrecuperável em oito voltas a não ser que algo de estranho se passasse). Só mesmo nas últimas seis voltas o transalpino começou a mostrar mais a sua moto, deixando ameaças nas curvas mais fechadas – iam ser menos de dez minutos de cortar a respiração, um pouco como já tinha acontecido na semana passada na Rep. Checa. Mais uma volta, Miguel Oliveira na frente. Mais uma volta, Bagnaia na frente. Pelo meio, três trocas quase seguidas de liderança.

Na antepenúltima volta, o português tinha voltado a travar as intenções de Bagnaia em passar para a frente e marcar um outro ritmo de corrida. E foi aguentando, aguentando, com nervos de aço, até ao último setor em que voltou a haver trocas de lideranças até ser obrigado a passar para trás na penúltima curva, alargar na última curva não conseguindo o mesmo “contra ataque” que fizera minutos antes e ficar mesmo sem o primeiro lugar para o transalpino nos últimos metros. Além de ter perdido a corrida, Miguel Oliveira perdeu também a liderança do Mundial, ficando a três pontos do piloto da Kalex.

O Campeonato regressa agora no dia 26, com o Grande Prémio da Grã-Bretanha no mítico traçado de Silverstone. Seguem-se GP de Aragão, GP da Tailândia, GP do Japão, GP da Austrália, GP da Malásia e GP de Valência, última prova do ano a 18 de novembro. E quase todas elas trazem boas recordações a Miguel Oliveira, que em 2017 ganhou quatro das últimas corridas ao contrário de Pecco Bagnaia (com uma moto menos “capaz”), que nem ao pódio conseguiu ir. É por isso que, apesar da frustração de ter falhado por muito pouco a terceira vitória do ano, a ponta final do Campeonato parece feita para si.

“De certa forma é uma desilusão perder assim mas foi uma grande batalha, deixei tudo na pista. Sabia que ele [Bagnaia] estava muito forte no terceiro setor, muito melhor do que eu, e na última volta tentei fechar um pouco mais a minha linha mas passou na penúltima curva e quando tentei na última curva até levantei a roda mas não foi possível. Não consegui mas ainda assim estou muito contente, as coisas estão a correr bem e tentarei ganhar nas próximas corridas”, disse o português na flash interview. “Estou muito feliz, sobretudo pela liderança do Mundial outra vez. Tive de recuperar a distância, forcei, estava no limite dos pneus, tentei na última curva e consegui. Estivemos muito bem este fim de semana”, comentou o piloto transalpino.

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