O primeiro jogo de um Campeonato traz sempre uma série de aspetos que acabam por ser “novos”, como a questão da lista de convocados e quem fica de fora. No caso do Sporting, e olhando apenas para as principais surpresas, foram Renan, guarda-redes que veio para Alvalade disputar a titularidade com Viviano; Marcelo, central contratado ao Rio Ave que perdeu o comboio de terceiro central para André Pinto; e Wendel, que chegou a ser testado como titular mas agora não conta. No entanto, José Peseiro chamou 21 jogadores para o encontro em Moreira de Cónegos e alguém teria de sair desse lote.

O exemplo de Bruno Fernandes, que colocou a mão nas orelhas e tapou os ouvidos ao ruído (a crónica do Moreirense-Sporting)

Luís Maximiano seria um deles, mas a lesão de Viviano no aquecimento acabou por levá-lo para o banco de suplentes, passando Salin para titular. Depois, sobravam duas vagas, pelo menos uma de ataque, mas acabaram mesmo por sair dois alas dos 18 e nenhum foi Jovane Cabral, o miúdo dos juniores e da equipa B que ganhou um lugar nas opções (e no coração) de Peseiro. Assim, a fava tocou a Carlos Mané e Matheus Pereira. E o último fez questão de mostrar o seu desagrado.

“Tem coisas que não dá para entender! Resta torcer da bancada”, escreveu o brasileiro na sua conta oficial do Twitter, mostrando o seu desconforto por, depois de ter sido uma das grandes figuras do estágio na Suíça e de ter ganho uma vaga na equipa titular com o Marselha, ter ficado no banco frente ao Empoli e saído agora dos 18 diante do Moreirense.

A resposta de José Peseiro, essa, não tardou. E para bom entendedor, bastou uma frase no meio de todo o discurso para perceber a razão que colocou o número 7 na bancada. “Se está chateado é bom, expressá-lo nas redes sociais é que não concordo tanto. Temos jogadores com talento e a tarefa do treinador é ensinar a colocar o talento em campo, com compromisso e determinação. Quando eles não cumprem e não dão essa resposta, podem ficar de fora. Ele ou outro qualquer. O Sporting tem um plantel com potencial, o Matheus tem potencial e é uma aposta. Estar no Sporting representa compromisso a par do talento e não é fácil os jogadores aperceberem-se disso. Por vezes até somos demasiado chatos para eles. Quando se está no banco tem de se entrar como o Raphinha ou o Jovane Cabral fizeram hoje”, comentou o técnico leonino.

Em relação ao encontro, houve uma expressão do treinador que resumiu quase tudo: “O Sporting deu um passinho”. “Sabemos em que posição estamos, o que podemos fazer e o que valemos neste momento. Tínhamos de ganhar e ganhámos. Há que dar os parabéns aos adeptos, que têm uma fidelidade tremenda. Estiveram aqui e apoiaram, mesmo nos momentos menos bons. Sofremos um bom golo, que não esperávamos, e perante tantas coisas, conseguimos reagir e chegar ao empate. Na segunda parte não entrámos bem, o Moreirense dominou em certos momentos, mas tivemos força para chegar ao 2-1 e depois ao 3-1. Foi na raça, na vontade, na entrega… Só não foi naquilo que já esperávamos, pois não temos um grande nível de jogo ainda”, disse.