A organização Amnistia Internacional exortou esta segunda-feira os países da África Austral para que os seus sistemas judiciais protejam os albinos, que são mortos na região devido à crença de que partes do seu corpo têm poderes mágicos.

A Amnistia Internacional (IA, na sigla inglesa) relembrou num comunicado, citado pela agência de notícias espanhola EFE, que em países como Maláui, Moçambique ou a Tanzânia é comum “a impunidade” por esses crimes, o que agrava o problema. Segundo a IA, as pessoas com albinismo são mortas devido à crença de que as partes do seu corpo têm poderes mágicos que dão boa sorte e riqueza.

“A realidade é que as pessoas com albinismo vivem com o medo constante de serem capturadas ou mortas por partes do seu corpo em toda a região”, frisou Deprose Muchena, diretor regional da organização para a África Austral. O responsável frisou que os albinos “vivem à mercê de gangues criminosos organizados que clamam pelo seu sangue na crença de que farão fortuna”.

Entre sexta-feira e sábado decorrerá uma cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla inglesa), na Namíbia e, neste contexto, a AI solicitou à SADC a promessa de “dar prioridade” e tomar “as medidas necessárias para garantir o direito à vida, segurança e salvaguarda de pessoas com albinismo”. Segundo o comunicado da organização divulgado pela EFE, a situação dos albinos é particularmente grave em países como o Maláui ou Moçambique.

No Maláui, de acordo com dados da Amnistia, houve cerca de 150 casos de violência contra albinos desde o final de 2014, incluindo 14 assassínios.

Em junho do ano passado, apenas o processo judicial para 30% desses casos tinha sido concluído. Partes dos corpos dos albinos são vendidos em países da África Austral, incluindo a República Democrática do Congo (RDCongo), a África do Sul, a Suazilândia, a Tanzânia e sobretudo Moçambique.