A Espanha acolherá 60 dos 141 imigrantes do navio Aquarius, que desde sexta-feira espera um porto seguro para atracar, segundo um acordo internacional assinado entre o Governo espanhol e outros cinco países, informou hoje fonte do Executivo espanhol.

A embarcação, administrada pelas organizações não-governamentais SOS Mediterrâneo e Médicos sem Fronteiras, permanecia no Mediterrâneo central, depois de Itália e Malta terem negado que o navio atracasse nos seus portos nos últimos dias.

Portugal também está disponível para acolher 30 dos 244 imigrantes que se encontram no navio humanitário “Aquarius” e noutras pequenas embarcações que estão a atracar em Malta, disse hoje à Lusa o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

“Portugal, Espanha e França articularam-se e, tal como já tinham feito em casos anteriores, mostraram uma disponibilidade comum para acolhimento e Malta autorizou a atracagem do navio. Haverá uma operação semelhante à que foi feita há um mês com o Lifeline”, explicou Cabrita.

A decisão foi conjugada entre os Governos dos três países e comunicada à Comissão Europeia, mas há outros países que ainda estão a ponderar participar na ajuda a estes migrantes.

“Entendemos que deve haver uma posição estável de nível europeu envolvendo todos. Não podemos andar aqui de solução ‘ad hoc’ em solução ‘ad hoc’ sempre que um navio está à deriva no Mediterrâneo”, acrescentou o ministro português, defendendo uma solução europeia integrada para responder ao desafio dos fluxos migratórios.

A maioria (73) dos 141 imigrantes a bordo do “Aquarius” são menores de idade e 70% são naturais da Somália e da Eritreia, mas também há cidadãos do Bangladesh, Camarões, Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Marrocos e Egito.

O presidente da Generalitat (governo da Catalunha), Quim Torra, disse também hoje que três portos sob a autoridade da Catalunha poderão ser utilizados para o desembarque dos 141 imigrantes do Aquarius.