As equipas de resgate continuaram a trabalhar na madrugada de quarta-feira para tentar encontrar sobreviventes nos escombros do viaduto que desabou na terça-feira em Génova, na Itália. Ao início da manhã, o balanço provisório apontava para 37 mortes, entre as quais a de três crianças de 8, 12 e 13 anos, de acordo com a agência italiana Ansa. Mas o ministro do Interior Matteo Salvini já veio confirmar ao final da manhã, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à região da Calábria, no sul do país, que o número de mortos aumentara. Ao final da manhã, contavam-se já 39 mortos confirmados.

Os socorristas também já retiraram dos escombros 16 feridos, 12 dos quais em estado grave. O súbito desabamento da Ponte Morandi, que fica numa zona industrial de Génova, no norte da Itália, provocou a queda de cerca de 35 carros e alguns camiões de uma altura de 70 a 90 metros. A ponte, localizada na autoestrada 10 (A10), já era conhecida por apresentar problemas estruturais e os políticos italianos já pediram que os potenciais culpados sejam responsabilizados e punidos. Mas o balanço de mortos é ainda incerto, podendo agravar-se nas próximas horas.

Um raio, um problema estrutural ou as obras. O que fez cair a Morandi, um “fracasso” de ponte?

O ministro do Interior, Matteo Salvini no final de terça-feira deixou o aviso de que os responsáveis pelo acidente “pagariam, pagariam tudo e pagariam caro”. E, já esta quarta-feira, anunciaram que a construtora e concessionária da ponte Morandi seriam responsabilizadas por eventuais falhas.

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Governo quer demissões na concessionária da ponte

O Governo italiano já exigiu, aliás, a demissão dos gestores da concessionária Autostrade per l’Italia, uma subsidiária da Atlantia, e responsável pela concessão e manutenção da ponte que desabou em Génova. Também o ministro das Infraestruturas, Danilo Toninelli, disse numa mensagem na rede social Facebook que “os diretores da Autostrade per l’Italia devem demitir-se antes de tudo” e avançou que o Governo italiano “ativou todos os procedimentos para a possível revogação das concessões e a imposição de uma multa de até 150 milhões de euros”.

“Se não são capazes de administrar as nossas autoestradas, o Estado o fará”, disse Toninelli. O ministro das Infraestruturas disse ainda que, “num país civilizado, não se pode morrer por uma ponte que desaba” e reiterou que os culpados “desta tragédia injustificável devem ser punidos”.

As empresas que administram as nossas estradas embolsam as portagens mais caras da Europa, pagando concessões a preços vergonhosos. Recebem milhares de milhões, pagam uns poucos milhões de impostos e nem sequer realizam a manutenção necessária para as pontes e autoestradas de ponte e estradas”, explicou.

O ministro italiano disse também que “o Fundo de Emergência da Proteção Civil será usado para restaurar o sistema ordinário da área afetada”. Para “a reconstrução da ponte Morandi” que “precisava de manutenção ao longo de décadas, serão utilizados recursos do Plano Económico e Financeiro das Autoestradas, que será discutido em setembro, e outros recursos de dois fundos dedicados a intervenções de infraestrutura será usada”.

Toninelli disse que o Governo vai desenvolver “um verdadeiro plano Marshall” para garantir o bom estado das infraestruturas do país e considerou o dever de o Estado “usar o dinheiro público para manter essas vias vitais do país, em vez de desperdiçá-lo em grandes obras inúteis”.

A notícia da queda da ponte fez com que a Atlantia afundasse na bolsa de valores de Milão na terça-feira, tendo caído mais de 10% e viu a sua cotação suspensa, ainda que tenha fechado com uma queda de 5,39%.

Primeiro-ministro visita local da tragédia

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte esteve no local do acidente na noite de terça-feira e, hoje, deverão visitar o local o vice-primeiro-ministro, Luigi di Maio, e o ministro dos Transportes e Infraestruturas, Danilo Toninelli.

Matteo Salvini é esperado na tarde de hoje no local do acidente, o mais mortífero desde 2001. “É uma catástrofe que atingiu Génova e toda a Itália. Uma tragédia assustadora e absurda atingiu pessoas e famílias”, disse o Presidente italiano, Sergio Mattarella, num comunicado.

Ao anoitecer, centenas de equipas de resgate continuavam a procurar nos escombros do viaduto sobreviventes com a ajuda de cães. Segundo a proteção civil italiana, contando com todo o pessoal envolvido (bombeiros, polícias, Cruz Vermelha), foram mobilizadas cerca de mil pessoas para os trabalhos de resgate. “A esperança nunca termina, já salvamos uma dúzia de pessoas sob os escombros, vamos trabalhar 24 horas por dia”, disse à agência de notícias AFP um dos responsáveis pelos bombeiros, Emanuele Gissi.