“Sibéria”

Keanu Reeves interpreta Lucas Hill, um negociante e especialista de diamantes, neste “thriller” morno, melancólico e mastigado, que envolve jóias desaparecidas, mafiosos russos e uma história de amor nos confins da Sibéria que dá título ao filme, rodado, no entanto, em grande parte no Canadá, exceptuando as sequências que se passam em São Petersburgo. Reeves (que também é produtor), o realizador Matthew Ross e os argumentistas pretenderam dar a “Sibéria” fumos de policial de “autor” e psicológico, poupando na acção e na violência e investindo na situação pessoal e emocional de Hill, mas qualquer interesse que pudéssemos ter nele, nas suas movimentações e na intriga em que se envolve, dá rapidamente lugar ao tédio. “Sibéria” é um daqueles filmes em que não paramos de olhar para o relógio.

“Maryline”

O segundo filme como realizador do actor francês Guillaume Gallienne após “A Mamã, os Rapazes e Eu!” (2013) é a história da Maryline do título, uma rapariga do campo que quer ser actriz e ruma a Paris para concretizar o seu sonho, embora não tenha escola nem, aparentemente, pinga de talento. Na produção de época em que se estreia, Maryline ( a insípida Adeline d’Hermy) é cruelmente humilhada pelo realizador em frente de toda a equipa, porque não consegue sequer dizer as suas curtas falas. O filme é tosco, arbitrário, desconexo: a heroína ora está alcoolizada e a trabalhar como operária numa fábrica, ora de repente se transforma numa vedeta aclamada por toda a gente. Também não ajuda o facto de Maryline ser menos uma personagem do que um boneco, que Gallienne atira de um lado para o outro nesta fita sem propósito nem norte.

https://youtu.be/eiUphBF8x0w

“Homem-Formiga e a Vespa”

Paul Rudd volta a interpretar o super-herói da Marvel após “Homem-Formiga” (2015) e depois de ter participado em “Capitão América: Guerra Civil” (2016), agora acompanhado pela Vespa de Evangeline Lilly e mais uma vez pelo pai desta, o Dr. Hank Pym (Michael Douglas). Realizado, tal como “Homem-Formiga”, por Peyton Reed, “Homem-Formiga e a Vespa” assenta a sua atarefada história na invenção genial do Dr. Pym: a capacidade de miniaturizar ou de aumentar pessoas, animais ou objectos, desde prédios inteiros a formigas.  Daí que o filme, e os seus protagonistas, andem numa constante, estonteante e hilariante jigajoga entre o minúsculo e o gigante, o micro e o macro, o muito pequeno e o muito grande, o estica e o encolhe. “Homem-Formiga e a Vespa” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.