O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, advertiu esta quinta-feira que os Estados Unidos irão avançar com sanções adicionais contra a Turquia caso o pastor protestante norte-americano Andrew Brunson não seja libertado de imediato. Andrew Brunson, oriundo do Estado da Carolina do Norte, está detido desde outubro de 2016 em território turco por acusações de “terrorismo e espionagem”. Atualmente, o pastor encontra-se em prisão domiciliária.

“Estabelecemos sanções contra vários membros do governo (da Turquia)”, disse Steven Mnuchin, durante uma reunião da administração norte-americana na Casa Branca, à qual a comunicação social teve acesso. “Prevemos fazer mais caso eles não o libertem rapidamente”, acrescentou o secretário do Tesouro norte-americano (equivalente a ministro das Finanças em Portugal), numa referência ao pastor Andrew Brunson.

Antes das declarações de Steven Mnuchin, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Turquia não tem sido um “bom amigo”. “Têm lá um pastor cristão fantástico, é um homem muito inocente”, acrescentou o chefe de Estado norte-americano. Um tribunal turco rejeitou na última quarta-feira um novo recurso que pedia o levantamento da prisão domiciliária do pastor protestante norte-americano e da proibição que o impede de deixar o território da Turquia.

A relação entre Washington e Ancara, Estados parceiros na NATO, está a atravessar neste momento um período de alta tensão. No início de agosto, a administração norte-americana avançou com sanções contra dois ministros turcos (das pastas do Interior e da Justiça) para pressionar a libertação de Brunson.

Mais recentemente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a duplicação das tarifas do alumínio e do aço turcos. Perante a decisão de Washington, a moeda turca (lira turca) entrou numa espiral descendente para novos mínimos de sempre e já perdeu cerca de 40% do valor face ao dólar e ao euro desde o início do ano.

Em reação às sanções norte-americanas, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou, na passada terça-feira, que a Turquia ia boicotar os produtos eletrónicos oriundos dos Estados Unidos. No dia seguinte, o governo de Ancara anunciou o aumento das tarifas sobre as importações de um conjunto de produtos norte-americanos, como arroz, veículos, álcool, carvão e cosméticos.

“Dentro da estrutura do princípio da reciprocidade e em retaliação aos ataques económicos conscientes dos Estados Unidos foram aumentadas as taxas sobre importações de determinados produtos”, escreveu, na última quarta-feira, o vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay, na sua página oficial na rede social Twitter. Nesse mesmo dia, a Casa Branca considerou “lamentáveis” as sanções económicas anunciadas pela Turquia.

“As tarifas aduaneiras da Turquia são com certeza lamentáveis e um passo na direção errada. As tarifas aduaneiras impostas pelos Estados Unidos à Turquia derivam de interesses de segurança nacional. As deles são uma represália”, declarou, na quarta-feira, a porta-voz da administração norte-americana, Sarah Huckabee Sanders.