Rádio Observador

Crise dos Refugiados

Navio humanitário Aquarius deixa Malta, outra embarcação aguarda porto com mais 177 migrantes

O navio humanitário "Aquarius" partiu de Malta, depois de desembarcar 141 imigrantes, enquanto outro navio italiano com mais 177 pessoas resgastadas do mar aguarda por um porto de acolhimento.

DOMENIC AQUILINA/EPA

O navio humanitário “Aquarius” partiu esta quinta-feira de Malta, depois de desembarcar os 141 imigrantes a bordo, enquanto outro navio italiano com mais 177 pessoas resgastadas do mar aguarda por um porto de acolhimento.

O Aquarius, das ONG SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras (MSF), chegou na quarta-feira a Malta depois de resgatar, na última sexta-feira, 141 imigrantes que serão acolhidos por França, Alemanha, Espanha, Luxemburgo e Portugal. Entretanto, verificou-se também que Itália irá acolher alguns dos migrantes do Aquarius, embora o ministro do Interior, Matteo Salvini, tenha assegurado que não iria receber nenhum, negando-lhes refúgio seguro.

Num comunicado após o atracamento da navio humanitário, o Governo de Malta informou que nele chegaram 97 homens e 44 mulheres e que doze deles foram levados para o Hospital Mater Dei, para receber tratamento – incluindo duas mulheres grávidas e crianças com menos cinco anos de idade. Os restantes imigrantes foram acompanhados até ao Centro Marsa para serem identificados.

Tal como aconteceu recentemente com o barco da ONG alemã Lifeline, dentro de poucos dias os imigrantes vão começar a ser realocados nos seis países que estão dispostos a aceitá-los. Os imigrantes do Aquarius disseram que são provenientes do Bangladesh, Camarões, Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Senegal, Togo, Egipto, Eritreia, Marrocos e Somália.

A equipa médica dos MSF informou que nos últimos dias têm observado que muitas das pessoas resgatas do mar tinham ferimentos de bala, queimaduras feitas com isqueiros e água a ferver, e ainda golpes feitos com paus.

A ONG francesa agradeceu no Twitter “o papel das autoridades maltesas para oferecer um porto seguro” aos migrantes. No entanto, reiteram que são necessários “progressos” para que haja “um modelo sustentável de busca e salvamento para enfrentar a atual crise humanitária” no Mediterrâneo.

Tudo indica que a situação vivida pelo Aquarius voltará a repetir-se brevemente, já que Salvini anunciou esta quinta-feira que pedirá a Malta para lidar com os mais recentes resgatado por um segundo navio, desta vez italiano. Esta quarta-feira à noite, Salvini relatou a existência de um navio com 177 migrantes em dificuldade nas águas maltesas e que foi “escoltado para as águas italianas” pelas autoridades maltesas. O ministro disse, posteriormente, que “sem que o Interior fosse informado”, um barco da capitania do porto italiano se encarregou de resgatar mais 177 imigrantes “que ainda estavam em águas maltesas”.

“Os malteses tinha ontem assumido a responsabilidade de uma intervenção para ajudar um barco com 177 migrantes, como é justo, já que estavam nas suas águas. Um barco tinha acudido à zona mas não prestou ajuda, limitando-se apenas acompanhar o barco para águas italianas “, disse Salvini num comunicado. “Pedi ao navio italiano para entrar em contato com as autoridades em Malta, onde o resgate aconteceu, para que eles disponham de um porto para desembarque”, acrescentou o ministro.

O Ministério do Interior divulgou o pedido da Guarda Costeira, que coordena as operações de busca e salvamento,para que Malta se ocupe destes 177 imigrantes, entre os quais seis mulheres e 34 menores. Treze deles tiveram de ser evacuados para a vizinha ilha italiana de Lampedusa devido ao seu estado de saúde. Os restantes foram transferidos para o navio da Guarda Costeira Italiana “Diciotti”, de acordo com a nota oficial, aguardando uma resposta de Malta.

Portugal aceitou receber 30 pessoas, do Aquarius, mas também de outras pequenas embarcações que acostaram a Malta, e vai enviar uma equipa do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) a Malta, explicou na terça-feira o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

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