O número de veículos eléctricos a circular pelas estradas e cidades germânicas tem aumentado, mas não ao ritmo que foi antecipado pelas autoridades. Hoje, na Alemanha, há cerca de 150.000 veículos que se ligam à corrente a circular, dos quais 100.000 são 100% eléctricos. Ainda assim, as estimativas governamentais apontavam – e apontam – para 1 milhão dentro de dois anos, o que é manifestamente optimista, à falta de um termo mais apropriado.

Os 100.000 carros eléctricos alemães têm à sua disposição 13.500 postos de carga públicos, AC ou DC, uma vez que os outros 50.000 veículos, híbridos plug-in, têm umas baterias que, por comparação, parecem de telemóveis, na realidade cerca de 10 kWh de capacidade contra 40 a 100 kWh dos 100% eléctricos. Se este número impressiona, é bom ter presente que, desde Junho de 2017, o número de postos de carga criado pelo Estado aumentou em 2.800 unidades, um crescimento que implicou um forte investimento.

O Estado alemão passou a exploração dos postos públicos para a iniciativa privada, porque está convencido que os gerem melhor, mas essa manobra não altera o facto de a rede eléctrica necessitar (teoricamente) de uma relação de 10:1 para começar a ser rentável, ou seja, 130.000 carros 100% elétricos para 13.000 postos de carga. Porém, mesmo sem o necessário número de clientes para assegurar essa rentabilidade, seriam precisos ainda mais carregadores, para que potenciais clientes admitissem então investir em carros a bateria. De outra forma, a percepção de uma rede insuficiente acaba por limitar o investimento nesta classe de veículos.

Segundo a German Association of Energy and Water Industries (BDEW), “o governo germânico deveria alterar a lei para permitir maior investimento privado em postos de carga”, uma vez que num futuro próximo, “80% das recargas vão ser realizadas em casa, e não em postos públicos”. De acordo com a BDEW, os clientes não querem carregar os seus carros eléctricos ligados à tomada lá de casa e demorar mais de um dia, o que eles necessitam é de adquirir wallboxs, que asseguram um rendimento superior ao das fichas normais. Isto vai ao encontro daquilo que o Governo alemão deseja, à semelhança dos restantes países, que é que os condutores dos veículos eléctricos só recorram à rede eléctrica nacional (ou seja, os postos públicos e de carga rápida) em caso de necessidade. Garantidamente mais cara e nem sempre acessível, pois de contrário o crash da rede está praticamente garantido.

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